Cientistas encontram cratera submarina que pode ser astroblema

Depressão no fundo do Oceano Atlântico pode ser resultante do impacto de asteroide. Formação está dois quilômetros abaixo do nível do mar e foi descoberta em 2008.

Cientistas portugueses encontraram uma depressão no fundo do Oceano Atlântico, ao sul das ilhas de Açores, que dizem poder se tratar de uma formação resultante do impacto de um meteorito. A depressão tem um formato circular, com seis quilômetros de diâmetro e uma ampla cúpula e, devido ao seu formato, foi chamada de "Ovo Frito".

Os cientistas calculam que a colisão ocorreu em algum momento nos últimos 17 milhões de anos. "Para termos certeza, precisamos coletar amostras e fazer um perfil das camadas de sedimento para determinar se as formações são resultantes de um impacto", afirmou o cientista Frederico Dias, do grupo de pesquisa Estrutura de Missão Para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC).

Representação de depressão no fundo do Atlântico que os cientistas dizem poder se tratar de uma formação resultante do impacto de um meteorito (Foto: BBC)

"Precisamos também verificar todos os sinais que são consistentes com um impacto de alta velocidade, como vidro gerado no derretimento e, claro, escombros; e os chamados cones estilhaçados [rochas que sofreram choque]", acrescentou o pesquisador.

Os cientistas também encontraram outra formação semelhante, porém menor, a oeste da primeira formação.

Dias apresentou a descoberta do suposto impacto na Reunião de Outono da União Geofísica Americana em San Francisco, Estados Unidos, a maior reunião anual de cientistas especializados em geofísica.

Picos centrais A cratera, identificada pela primeira vez durante uma análise para mapeamento da plataforma continental portuguesa, em 2008, está a uma profundidade de dois quilômetros abaixo do nível do mar, a cerca de 150 quilômetros do arquipélago de Açores.

A cúpula no centro da cratera – que seria a "gema" do Ovo Frito – tem cerca de três quilômetros de diâmetro e cerca de 300 m de altura. Ela é cercada por uma vala em anel que fica de cerca 110 m abaixo do solo ao redor da cratera.

Os cientistas portugueses já descartaram a possibilidade de a formação ter origem vulcânica, pois eles não encontraram vestígio de fluxo de lava dentro da estrutura ou em seus arredores.

A segunda cratera encontrada pelos cientistas fica a oeste da primeira formação, entre três e quatro quilômetros de distância, e é bem menor. "Fica bem ao lado. Se o 'Ovo Frito' é uma cratera, esta também pode ser uma", afirmou Frederico Dias.

A equipe portuguesa já tem uma terceira expedição à região marcada para o começo de 2010 e, nesta viagem, vão usar um veículo operado por controle remoto para tentar recolher amostras do fundo do mar para análise.

A apresentação dos detalhes a respeito da formação perto de Açores na reunião em San Francisco dividiu os cientistas participantes a respeito da teoria do impacto de um meteorito, de acordo com Dias. "Mesmo se não for uma cratera formada por um impacto, ainda assim é uma formação interessante", afirmou o cientista português.

Fonte: G1

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