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CERN passa a aceitar países-membros de fora da Europa

A Organização Europeia de Pesquisa Nuclear, CERN, que abriga o Grande Colisor de Hádrons (LHC), atualmente o maior experimento científico em andamento no mundo, vai passar a aceitar como sócios todos os países que se qualifiquem, e não mais apenas Estados europeus.

Até agora, o centro de estudos nos arredores de Genebra, que conta com orçamento anual de US$ 8,7 bilhões, vinha admitindo apenas nações da Europa como membros plenos, embora muitos outros países participem dos trabalhos.

"Trata-se de um enorme salto para a física de partículas, e que reconhece a crescente globalização do campo", disse Michel Spiro, presidente do conselho administrativo do CERN, que tomou a decisão no fim de semana.

Rolf Heuer, diretor-geral do centro cujos cientistas já receberam diversos prêmios Nobel e onde a World Wide Web foi inventada, disse que a mudança reflete o interesse mundial nas pesquisas sobre a origem do universo.

A mudança não significa que mais dinheiro será, necessariamente, recebido pelo CERN, que conta com um orçamento fixo de cinco anos, rateado entre os países-membros, diz o porta-voz James Gilles.

Mas significa que passa a haver uma fonte extra de verbas para a organização que, segundo críticos, absorve dinheiro que poderia ser usado em questões de aplicação prática. Os defensores do CERN lembram que as pesquisas realizadas lá geram vários benefícios econômicos e médicos indiretos.

Fundado em 1954 por 12 países europeus com o objetivo de restaurar o papel do continente na pesquisa física depois da 2ª Guerra Mundial, o Cern hoje tem 20 membros plenos, mas há mais de 8.000 cientistas, de 80 países, trabalhando em seus programas.

Seis países de fora da Europa são membros-observadores do CERN - Índia, Israel, Japão, Rússia, Turquia e EUA - bem como a Comissão Europeia e a Unesco. Entre esses, tanto Israel quanto Turquia - e também Chipre, Sérvia e Eslovênia - devem se tornar membros plenos ainda neste ano.

O plano permite que a categoria dos observadores seja substituída por uma de membros associados, que funcionaria como uma antessala para a conversão em membro pleno.

'Máquina do Big Bang' poderá desvendar o universo escuro

LHC poderá ser a primeira máquina a revelar características do universo escuro.

Acelerador de partículas tenta simular condições da criação do universo e provar existência da matéria escura.

GENEBRA - A matéria escura, que os cientistas acreditam que forme até 25% do universo, mas cuja existência nunca foi provada, poderá ser detectada pelo acelerador de partículas gigante da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern), disse nesta segunda-feira, 8, o diretor-geral do centro de pesquisas.

Rolf-Dieter Heuer afirmou em uma entrevista coletiva que alguma evidência da matéria poderá surgir até mesmo no curto prazo a partir do acelerador de partículas destinado a recriar as condições do Big Bang, o nascimento do universo ocorrido há cerca de 13,7 bilhões de anos.

"Não sabemos o que é a matéria escura", disse Heuer, diretor do Cern que fica na fronteira entre Suíça e França, nas proximidades de Genebra.

"Nosso Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês) poderá ser a primeira máquina a nos dar um insight sobre o universo escuro", disse ele. "Estamos abrindo a porta para a Nova Física, para um período de descobertas."

Astrônomos e físicos afirmam que apenas 5 por cento do universo é conhecido atualmente e que o remanescente invisível consiste de matéria escura e de energia escura, que formam cerca de 25 por cento e 70 por cento, respectivamente.

"Se formos capazes de detectar e compreender a matéria escura, nosso conhecimento vai se expandir para abarcar 30 por cento do universo, um enorme passo adiante", afirmou Heuer.

O LHC, a maior experiência científica do mundo centralizada num túnel subterrâneo oval de 27 quilômetros, está atualmente em atividade para, até o final do mês, colidir partículas com a maior energia já alcançada.

estadao.com.br

'Máquina do Big Bang' pode revelar partícula misteriosa

ROBERT EVANS - REUTERS

GENEBRA - Cientistas que operam o acelerador de partículas da Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em inglês) podem resolver o mistério sobre o que dá massa à matéria, durante uma atividade de quase dois anos ininterruptos que irá até o fim de 2011, disse um porta-voz nesta quarta-feira.

James Gillies informou à Reuters que a partícula chamada bóson de Higgs pode aparecer durante a experiência na chamada "máquina do Big Bang", maior e mais caro equipamento científico do mundo, que será religado neste mês.

"Se ele estiver lá, teremos uma chance razoável de vê-lo", disse Gillies, referindo-se à partícula subatômica que o físico escocês Peter Higgs previu há três décadas que poderia explicar como a matéria se juntou para criar o universo e tudo que o compõe.

Gillies disse que a operação do Grande Colisor de Hádrons (LHC), que pertence à Cern e está instalada sob a fronteira franco-suíça, perto de Genebra, irá produzir uma enorme quantidade de informações.

Se o bóson de Higgs não aparecer, não quer dizer que ele não exista. Após a primeira fase de operação estendida e um ano de paralisação para preparativos, o LHC voltará a ser ligado novamente com sua energia máxima.

"Pode ser que precisemos dessa intensidade para capturá-lo", acrescentou Gillies.

O LHC foi ligado inicialmente em setembro de 2008, mas teve de parar por causa de uma violenta explosão dentro do túnel circular subterrâneo de 27 quilômetros. O foco do equipamento é a colisão de partículas que se deslocam em sentidos contrários com grande energia.

Bilhões de colisões, cada uma criando as condições que existiam numa fração de segundo depois do "Big Bang", quando o universo começou, há 13,7 bilhões de anos, irão produzir dados que cerca de 10 mil cientistas na Cern e em todo o mundo irão registrar e analisar.

A matéria emitida pela explosão primordial do universo acabou dando origem aos planetas, às estrelas e à vida na Terra -- mas a teoria de Higgs diz que isso só seria possível se algo como o bóson reunisse a matéria, dando-lhe massa.

O LHC funcionou por cerca de dois meses no fim do ano passado, realizando colisões de feixes de partículas com uma energia de até 2,36 tera-elétron volts (TeV), a maior já alcançada.

A próxima atividade prolongada, sem uma pausa no inverno, foi decidida em uma reunião de físicos, engenheiros e administradores do Cern em Chamonix, na França, na semana passada. Gillies disse que a energia da colisão será elevada gradualmente até 7 TeV.

No fim do ano que vem, o colisor deve ser novamente desativado por até 12 meses para que engenheiros preparem o túnel e a enorme quantidade de equipamentos do local para colisões de até 14 TeV na próxima atividade, provavelmente a partir de 2013.

estadao.com.br

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