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ESO - Observações VLT de explosão de raios gama revelam ingredientes surpreendentes em galáxias primordiais


Uma equipe internacional de astrônomos utilizou a breve mas brilhante luz de uma explosão de raios gama distante para investigar a composição de galáxias muito distantes. Surpreendentemente as novas observações obtidas com o Very Large Telescope do ESO revelaram duas galáxias no Universo primordial mais ricas em elementos pesados que o Sol. As duas galáxias podem encontrar-se em processo de fusão. Tais processos no Universo primitivo originam a formação de muitas estrelas novas, podendo dar origem a explosões de raios gama.

As explosões de raios gama são as explosões mais brilhantes do Universo [1]. São inicialmente observadas por observatórios que se encontram em órbita terrestre, que detectam a curta explosão inicial de raios gama. Depois de localizadas as suas posições, são imediatamente estudadas utilizando telescópios de grandes dimensões instalados no solo, que detectam a radiação visível e infravermelha remanescente emitida ainda nas horas e dias que se seguem à explosão inicial. Uma destas explosões, chamada GRB 090323 [2], foi inicialmente detectada pelo Telescópio Espacial Fermi Gamma-ray da NASA. Pouco tempo depois, o sinal emitido foi observado pelo detector de raios X do satélite Swift da NASA e pelo sistema GROND do telescópio MPG/ESO de 2.2 metros instalado no Chile (eso1049). Esta explosão foi estudada detalhadamente pelo Very Large Telescope (VLT) do ESO, apenas um dia depois da explosão inicial.

As observações obtidas com o VLT mostram que a luz brilhante emitida pela explosão de raios gama passou através da própria galáxia hospedeira e também de outra galáxia próxima. Estas galáxias estão sendo observadas tal como eram há 12 bilhões de anos atrás [3]. Galáxias tão distantes estão raramente envolvidas neste tipo de fenômenos.

“Quando estudamos a radiação emitida por esta explosão de raios gama não sabíamos o que iríamos encontrar. Foi surpreendente descobrir que o gás frio existente nestas duas galáxias do Universo primitivo tem uma composição química tão inesperada,” explica Sandra Savaglio (Instituto Max-Planck para a Física Extraterrestre, Garching, Alemanha), autora principal do artigo científico que descreve este estudo. “Estas galáxias têm mais elementos pesados do que o observado em qualquer galáxia do Universo primordial. Não esperávamos que o Universo estivesse tão cedo já tão evoluído em termos químicos.”

Quando a radiação da explosão de raios gama passou através das galáxias, o gás aí contido atuou como um filtro e absorveu parte desta radiação em certos comprimentos de onda. Sem a explosão de raios gama estas galáxias tênues seriam completamente invisíveis. Ao analisar cuidadosamente as impressões digitais dos diferentes elementos químicos, a equipe conseguiu determinar a composição do gás frio destas galáxias muito distantes e em particular descobriu o seu rico conteúdo em elementos pesados.

Espera-se que as galáxias no Universo primitivo tenham menor quantidade de elementos pesados do que as galáxias no Universo atual, tais como a Via Láctea. Os elementos pesados são produzidos ao longo da vida e morte de várias gerações de estrelas, que gradualmente vão enriquecendo o gás das galáxias [4]. Os astrônomos utilizam o enriquecimento químico das galáxias para determinar em que período das suas vidas estas se encontram. No entanto e surpreendentemente, estas novas observações revelaram que algumas galáxias são já muito ricas em elementos pesados numa altura correspondente a menos de dois bilhões de anos depois do Big Bang, algo inimaginável até agora.

O par de galáxias jovens descoberto deve estar formando estrelas a uma taxa extremamente elevada, de modo a poder enriquecer tanto e tão depressa o gás frio. Uma vez que as duas galáxias estão tão próximas uma da outra, é possível que se encontrem em processo de fusão, o que dará origem a formação estelar quando as nuvens de gás colidem entre si. Os novos resultados apoiam também a ideia de que as explosões de raios gama podem estar associadas a formação estelar intensa.

Formação estelar tão violenta como esta poderá ter cessado muito cedo na história do Universo. Doze bilhões de anos mais tarde, ou seja, agora, os restos de tais galáxias conteriam um grande número de restos estelares tais como buracos negros e anãs brancas frias, formando uma população de “galáxias mortas” difíceis de detectar, apenas sombras tênues de como teriam sido nas suas juventudes brilhantes. Encontrar tais cadáveres atualmente seria um grande desafio.

“Tivemos muita sorte em observar a GRB 090323 quando ainda estava suficientemente brilhante, de tal modo que foi possível obter observações muito detalhadas com o VLT. As explosões de raios gama permanecem brilhantes apenas por curtos espaços de tempo, por isso conseguir dados de boa qualidade é muito difícil. Esperamos poder observar novamente estas galáxias num futuro não muito longínquo quando tivermos disponíveis instrumentos mais sensíveis. Estes objetos seriam um alvo ideal para o E-ELT,” conclui Savaglio.


O VLT Espia o Interior de Uma Nebulosa Distante


Os astrônomos usando dados coletados pelo Very Large Telescope do ESO no Observatório do Paranal no Chile, construíram uma impressionante composição de imagens da nebulosa Messier 17, também conhecida como Nebulosa Omega ou Nebulosa do Cisne. A imagem que parece uma aquarela mostra vastas nuvens de gás e poeira iluminadas pela intensa radiação emitida por estrelas jovens.

A imagem mostra uma região central com aproximadamente 15 anos-luz de comprimento, embora a nebulosa como um todo seja bem maior se espalhando por mais de 40 anos-luz. A Messier 17 está localizada na constelação de Sagitarius (o Arqueiro) a uma distância de aproximadamente 6000 anos-luz da Terra. Essa nebulosa é um alvo bem popular para astrônomos amadores que conseguem mesmo com pequenos telescópios obter imagens de boa qualidade.

Essas observações profundas feitas pelo VLT usaram o comprimento de onda do infravermelho próximo através do instrumento ISAAC. Os filtros usados foram o J (1.25 mícron mostrado em azul), o H (1.6 mícrons mostrado em verde) e o K (2.2 mícrons mostrado em vermelho). No centro da imagem está um aglomerado de estrelas jovens e massivas que emitem uma intensa radiação fazendo com que o gás hidrogênio ao redor brilhe. 

No canto inferior direito do aglomerado existe uma imensa nuvem de gás molecular. No comprimento de onda do visível os grãos de poeira na nuvem obscurecem a nossa visão, mas observando na luz infravermelha o brilho do gás hidrogênio atrás da nuvem pode ser visto. 

Escondido nessa região que tem uma aparência escura avermelhada os astrônomos encontraram a silhueta opaca de um disco de gás e poeira. Embora apareça pequeno na imagem, o disco tem um diâmetro de 20000 Unidades Astronômicas. 

Acredita-se que esse disco esteja em rotação e dessa forma alimente material para uma protoestrela – um estágio bem inicial no processo de formação estelar.

http://www.eso.org

Astrônomos encontram sinal de novo tipo de buraco negro

estadão.com.br

Um grupo internacional de cientistas informa ter encontrado evidências confirmando que uma misteriosa fonte de raios X no espaço, HLX-1, é cerca de 100 vezes mais luminosa que a maioria dos demais objetos do mesmo tipo, e 10 vezes mais brilhante que a segunda fonte mais intensa conhecida.

De acordo com nota da Universidade de Leicester, que encabeçou o estudo, os dados sugerem que HLX-1 pode indicar a presença de um novo tipo de buraco negro no Universo, um buraco de massa intermediária.

O trabalho está publicado no periódico Astrophysical Journal. A fonte se localiza a cerca de 300 milhões de anos-luz da Terra, na galáxia ESO 243-49.

Usando o Telescópio Muito Grande (VLT, na sigla em inglês) do Observatório Europeu Sul (ESO), a equipe obteve provas de que a fonte realmente se encontra na galáxia ESO 243-49, e não representa nem uma estrela localizada entre a Terra e ESO 243-49, e nem uma outra galáxia ainda mais distante.

Segundo a nota da universidade, isso implica que fontes de raios X do tipo de HLX-1  podem ser mais brilhantes do que se imaginava em teoria, e suporta a hipótese de que as mais intensas abrigam buracos negros de massa intermediária.

Astrofísicos já suspeitavam que uma classe intermediária de buracos negros - com massa entre cem vezes e centenas de milhares de vezes a do Sol - poderia existir, nenhum objeto do tipo jamais havia sido detectado de forma confiável.

A existência, ou não, desses buracos negros é objeto de intenso debate.

Até hoje, conhecem-se evid~encias sólidas da existência de buracos negros de massa estelar - com até 20 vezes a massa do Sol - e supermassivos, localizados no núcleo de galáxias e com massa de milhões de vezes a solar.

O novo trabalho demonstra que HLX-1 não é o núcleo supermassivo de uma galáxia muito mais afastada que ESO 243-49, e nem um objeto localizado no interior da Via-Láceta.

Energia de buraco negro impede formação de milhões de estrelas

Imagem composta de rádio (vermelho-alaranjado) 
e raios X (azul) de M87. Chandra-VLS/Divulgação

estadão.com.br

Um gigantesco buraco negro no centro da galáxia M87 está soprando poeira e gás para longe, impedindo assim a formação de novas estrelas. Imagem composta por dados coletados pelo Telescópio de Raios X Chandra e pelo conjunto de radiotelescópios VLA registra o processo violento.

Em nota divulgada pela equipe do Chandra, astrônomos envolvidos no estudo declaram-se "surpresos" pelas semelhanças entre os processos desencadeados pelo buraco negro e a erupção de um vulcão na Islândia, no semestre passado.

A uma distância de 50 milhões de anos luz, M87 está relativamente próxima da Terra e fica no centro do aglomerado de Virgem, que contém milhares de galáxias. A localização de M87, combinada ao longo período de atividade do Chandra, fez com que a galáxia fosse um excelente alvo de observação.

"Nossos resultados mostram em grande detalhe como o buraco negro supermassivo tem um controle surpreendentemente bom sobre a evolução da galáxia onde vive", disse, em nota, Norbert Werner, do Instituto Kavli de Astrofísica de partículas e Cosmologia da Universidade Stanford e do Laboratório Nacional de Acelerador SLAC. "E não para aí. O alcance do buraco negro se estende ainda além pelo aglomerado, de forma semelhante á que um pequeno vulcão pode afetar praticamente um hemisfério todo da Terra".

O aglomerado ao redor de M87 brilha em luz de raios X, que é captada pelo Chandra. À medida que se resfria, o gás pode cair na direção do centro da galáxia, onde poderia continuar a se resfriar ainda mais e formar novas estrelas.

No entanto, observações de rádio feitas pelo VLA indicam que os jatos de partículas altamente energéticas produzidos pelo buraco negro de M87 interrompe o processo. Esses jatos erguem o gás relativamente frio perto do centro da galáxia e produzem ondas de choque na atmosfera galáctica, por conta de sua velocidade supersônica.

Os cientistas envolvidos na pesquisa consideraram que a interação dessa "erupção" cósmica com o ambiente galáctico é muito semelhante à do vulcão islandês Eyjafjallajokull, que forçou o fechamento de boa parte dos aeroportos da Europa há alguns meses.

Com o Eyjafjallajokull, bolsões de gás quente irrompiam pela superfície da lava, gerando ondas de choque que podem ser vistas passando através da fumaça cinzenta. O gás aquecido se eleva pela atmosfera, arrastando a poeira cinzenta atrás de si. 

Em analogia com o vulcão, as partículas energéticas produzidas na vizinhança do buraco negro elevam-se através ad atmosfera que emite raios X, fazendo elevar-se o gás mais frio perto do centro  de M87, de modo semelhante ao arrasto das nuvens de cinza vulcânica visto na Terra.

Em M87, as plumas de gás mais frio que são erguidas contêm tanta massa quanto todo o gás contido num raio de 12.000 anos-luz do centro do aglomerado de galáxias.

"Esse gás teria formado centenas de milhões de estrelas se o buraco negro não o tivesse retirado do centro da galáxia", disse um dos autores de um dos dois artigos que descrevem a dinâmica de M87, Evan Milion, de Stanford. Os artigos aparecerão no periódico  Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

ESO - 1ª imagem 3D mostra restos de estrela a 100 mi de km/h

Observações da supernova são as primeiras em 3D e confirmam modelos de computador
Portal Terra

Astrônomos utilizaram o Telescópio Muito Grande (VLT, na sigla em inglês), do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), para capturar a primeira imagem tridimensional de uma explosão estelar, também conhecida como supernova. A escolhida foi a SN 1987A, na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia vizinha à nossa. Essa supernova foi descoberta em 1987 e foi a primeira a ser vista a olho nu em 383 anos. As observações mostraram novos detalhes sobre esses fenômenos, como, por exemplo, a ejeção de material a 100 milhões de km/h, cerca de 10% da velocidade da luz.

As estrelas de grande massa morrem de uma maneira particular, através de uma gigantesca explosão, arremessando uma grande quantidade de material no espaço. A descoberta de SN 1987A permitiu aos astrônomos estudarem melhor esse fenômeno com detalhes nunca antes vistos.

O estudo dessa supernova permitiu, por exemplo, a primeira detecção de neutrinos do núcleo interno da estrela, de elementos radioativos produzidos durante a explosão, a formação de poeira após o fenômeno, entre muitas outras descobertas sobre a morte das grandes estrelas.

Com as novas observações do VLT, o ESO afirma que os astrônomos serão capazes de reconstruir em 3D as partes centrais da explosão. Os cientistas já descobriram que a explosão foi mais forte e rápida em determinadas direções do que em outras, o que levou a um formato irregular, com algumas partes se alongando mais.

O primeiro material ejetado da supernova viajou a 100 milhões de km/h, cerca de 10% da velocidade da luz e 100 mil vezes mais rápido que um jato de passageiros. Apesar da velocidade, esse material demorou 10 anos para atingir o anel de gás e poeira que é formado na fase final da vida da estrela. As imagens indicam que outra onda de material emitido pela explosão viaja cerca de 10 vezes mais lentamente e é aquecido pelos elementos radioativos criados pelo fenômeno.

"Calculamos a distribuição de velocidades do material ejetado pela Supernova 1987A", diz a autora principal do estudo Karina Kjær em comunicado. "Ainda não compreendemos bem como explode uma supernova, mas o modo como a estrela explodiu encontra-se imprimido no material mais interior. Podemos ver que este material não foi ejetado simetricamente em todas as direções, mas parece ter uma direção privilegiada. Além disso, essa direção é diferente daquela que esperávamos, baseados na posição do anel."

As observações comprovariam modelos feitos em computador de como explodem essas estrelas. Esses modelos já mostravam o comportamento assimétrico e também indicavam instabilidades de larga escala na supernova.

Astrônomos encontram 'maior estrela do universo'

Imagem divulgada por observatório europeu mostra três estrelas com massa maior que a do Sol. A que tem mais massa, conhecida como RMC136a1 e localizada no centro da imagem, tem hoje o equivalente a 265 vezes a massa do Sol, mas cientistas calculam que na época de seu nascimento esse número pode ter chegado a 320 vezes. Ela também tem grande luminosidade, cerca de dez milhões de vezes maior que a do Sol

estadao.com.br

Astrônomos britânicos descobriram o que se acredita ser a maior estrela do universo, cuja massa atual é 265 vezes maior do que o sol e a luminosidade cerca de 10 milhões de vezes mais intensa.

Usando o Telescópio Extremamente Grande(VLT), no Chile, da Organização Europeia para a Investigação Astronômica no Hemisfério Sul (ESO, na sigla em inglês) - que reúne 14 países - e informações de arquivo capturadas pelo telescópio espacial Hubble, da agência americana (Nasa), a equipe liderada pelo astrofísico Paul Crowther, da Universidade de Sheffield, calculou que a massa da estrela gigante teria sido 320 vezes maior que a do sol no momento de sua formação, ou seja, pelo menos o dobro da massa da maior estrela já encontrada.

A estrela, batizada de RMC 136a1, faz parte do agrupamento de estrelas jovens RMC 136a. Os astrônomos também encontraram outras estrelas imensas no agrupamento NGC 3603.

Ambos agrupamentos estelares foram apelidados de "fábricas de estrelas", já que novos astros se formam constantemente a partir da extensa nuvem de gás e poeira das nebulosas.

O NGC 3603 fica a 22 mil anos-luz do sol, na Nebulosa da Tarântula, e o RMC 136a fica em uma galáxia vizinha à nossa, a 165 mil anos-luz de distância, a Grande Nuvem de Magalhães.

Segundo o artigo publicado na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, a expectativa é de que estrelas colossais como as encontradas existam apenas durante alguns milhões anos, antes de explodirem.

A existência de estrelas como essas, afirmam astrônomos, era mais comum no início do universo.

Planetas

Ainda segundo os cientistas, é pouco provável que alguma dessas estrelas venha a ter planetas orbitando a seu redor, já que demoram mais tempo para serem formados que a "curta" vida das estrelas.

Muitas das estrelas observadas têm temperatura superior a 40 mil graus centígrados - mais de sete vezes superior à temperatura do sol - além de serem dezenas de vezes maiores e milhões de vezes mais brilhantes que o astro.

"Ao contrário dos humanos, essas estrelas nascem pesadas e vão perdendo peso ao envelhecer", disse Crowther.

"Com um pouco mais de um milhão de anos, a estrela mais extrema, a RMC 136a1 já está na 'meia idade' e passou por um programa intenso de 'emagrecimento', perdendo mais de um quinto de sua massa inicial neste período, ou mais de 50 massas solares."

Se a RMC 136a1 substituísse o sol em nosso Sistema Solar, "a sua grande massa reduziria a duração de um ano na Terra para apenas três semanas e banharia o planeta em uma radiação ultravioleta incrivelmente intensa, tornando a vida impossível em sua superfíce", afirma Raphael Hirschi, da Universidade de Keele, integrante da equipe.

Estrelas como essas são extremamente raras e se formam apenas nos agrupamentos estelares mais densos.

Se houvesse algum planeta dentro do agrupamento RMC 136, o céu nunca escureceria, já que a densidade de estrelas na região é 100 mil vezes maior do que em torno do sol e muitas delas são extremamente brilhantes.

A descoberta ainda confirmou a hipótese anterior dos astrônomos, de que há um tamanho máximo para estrelas, e a RMC 136a1 levou os cientistas a estenderem este limite.

Mistério das grandes estrelas pode ter fim

Ilustração mostra o disco de poeira ao redor da jovem estrela IRAS 13481-6124, que possui 20 vezes a massa do Sol.

de INFO Online

Um dos grandes mistérios do universo (entre os muitos enigmas ainda não resolvidos pelos astrônomos) pode ter sido finalmente desvendado: como nascem as estrelas de grande massa?

Simples: elas se formam da mesma maneira que as estrelas de menor porte, como o nosso Sol.

A descoberta foi feita pela equipe liderada por Stefan Kraus, membro da NASA Sagan Exoplanet Fellow e astrônomo na Universidade do Michigan, e, apesar de parecer bastante simplória, tem grandes implicações para o estudo do espaço.

Se as estrelas de grande massa se formam como as menores, isso significa que poderiam existir planetas ao redor de alguns dos maiores corpos da galáxia.

Escondidas na poeira

Porque estes corpos estão muito longe e cercados de camadas de poeira, é difícil observá-los. Usando o Very Large Telescope, do European Southern Observatory, no Chile, a equipe de Kraus focou em um único ponto do espaço. A IRAS 13481-6124 é uma estrela jovem com 20 vezes mais massa do que o Sol, localizada a 10 mil anos-luz na constelação de Centauro.Para efeito de comparação, o Sol possui 2X10^27 toneladas.

Combinando diferentes imagens, os astrônomos conseguiram visualizar com clareza a região mais interna que cerca a estrela e descobriram que um disco grande de poeira e gás circunda o corpo celeste. Tal disco é quase idêntico ao encontrado ao redor de jovens pequenas estrelas – porém muito maior (com massa equivalente a da estrela que cerca). Um disco como este nunca havia sido observado ao redor de uma estrela de grande massa.

A presença dele é um forte indício de que esses grandes corpos se formam pelos mesmos processos das estrelas menores. A teoria mais aceita para a formação das estrelas de médio e pequeno porte é a de que elas “crescem” das densas acumulações de gás e poeira, o que explica o disco ao seu redor quando finalmente estão prontas. É este disco que pode fornecer material também para a formação de planetas. Conforme “amadurecem”, as estrelas emitem radiação e ventos estelares que dissipam o disco, deixando a estrela e seus planetas livres da camada de poeira e gás.

Portanto, a descoberta de um disco ao redor da a IRAS 13481-6124 também quase descarta a possibilidade de que estrelas de grande massa tenham surgido por meio da fusão de pequenas estrelas, como alguns cientistas acreditavam.

Os resultados obtidos foram confirmados por outro telescópio, o Spitzer, controlado pela NASA. As análises sugerem a possibilidade de que planetas, até mesmo similares à Terra, possa existir ao redor de estrelas como a  IRAS 13481-6124. Os cientistas acreditam, no entanto, que os planetas ao redor dessas estrelas gigantes não durariam muito, pois seriam destruídos pelos fortes ventos estelares e radiação assim que o disco protetor se dissipasse.

O estudo ainda tem outras grandes implicações: as estrelas gigantes, como a IRAS 13481-6124, são consideradas a base para o surgimento da vida. Dentro delas, muitos elementos pesados, necessários para a vida, são criados. 

O Very Large Telescope


O Very Large Telescope ou VLT é uma instalação terrena da European Southern Observatory - ESO, que consiste na construção e no funcionamento do maior conjunto de telescópios ópticos do mundo em uma única localização.

Estes telescópios estão erguidos no Observatório Astronômico Cerro Paranal, localizado em Cerro Paranal, no deserto de Atacama, no norte do Chile. O centro de operações da ESO está em Garching, Alemanha.
Cerro Paranal é uma montanha de 2.635 metros de altura, rodeada por uma região de clima desértico, distantes de centros populacionais.

O projeto VLT

O Very Large Telescope consiste na construção de quatro telescópios de espelho primário de 8,2 m de diâmetro em edificações distintas, mas próximas uma das outras, que podem funcionar de forma independente ou de forma combinada. Eles captam luz visível e infravermelha.

Funcionando na forma combinada, os telescópios podem coletar a luz do céu como se fosse um simples telescópio de 16,4 m de diâmetro, tornado-o maior telescópio do mundo.
A luz de todos os telescópios pode ser combinada pelo interferômetro VLT (VLTI), que permitirá realizar observações ópticas com uma resolução sem precedentes, de 0.0005 arco-segundos, com o que, a principio, o VLTI seria capaz de enxergar um astronauta na Lua.

Os telescópios de 8,2 m de diâmetro serão auxiliados por quatro telescópios menores móveis de 1,8 m de diâmetro, que podem ser utilizados junto com o interferômetro, fornecendo uma elevada resolução angular. Com esta configuração será possível obter imagem desde a faixa superior do ultravioleta, até 25 micrômetro do infravermelho.

Cada telescópio está alojado em um edifício compacto e controlado termicamente, que roda sincronizadamente com o telescópio. Os telescópios do VLT receberam nomes de objetos celestes, de acordo como chamavam os Mapuches, indígenas do Chile que vivíam principalmente no sul do país. Os nome são: telescópio Antu, telescópio Kueyen, telescópio Melipal e o telescópio Yepun.

Foi também montando um outro telescópio denominado de VISTA: Visible and Infrared Telescope for Astronomy. Diversos instrumentos foram instalados junto a estes telescópios, dando a eles uma grande capacidade de observação. 

ESO encontra bolha gigante criada por buraco negro

Concepção artística mostra bolha de gás e partículas criada por dois jatos de um pequeno, mas poderoso buraco negro

Astrônomos afirmam ter descoberto o mais poderoso par de jatos já observado no espaço. Os jatos são resultantes de um pequeno buraco negro. O objeto, também conhecido como microquasar, criou uma enorme bolha de gás quente e partículas com uma dimensão de 1 mil anos-luz, o que indica que ele é duas vezes maior e dezenas de vezes mais poderoso que qualquer outro microquasar conhecido. As informações são do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês).

"Ficamos espantados com a quantidade de energia ejetada no gás pelo buraco negro", diz o autor principal da pesquisa, Manfred Pakull. "Este buraco negro tem apenas algumas vezes a massa do Sol, mas é uma verdadeira versão em miniatura dos mais poderosos quasares e radiogaláxias, os quais contêm buracos negros com massas de alguns milhões de vezes a massa do Sol", afirma.

Os astrônomos basearam a pesquisa em observações do telescópio de raio-X Chandra, da Nasa, e do Telescópio Muito Grande (VLT, na sigla em inglês), do ESO. Os buracos negros são conhecidos por libertarem enormes quantidades de energia enquanto absorvem matéria. Acreditava-se que a maior parte dessa energia era liberada sob a forma de radiação, principalmente as que podem ser registradas por raio-X. Mas o novo estudo indica que alguns buracos negros podem libertar tanta energia, e talvez até mais, sob a forma de jatos colimados de partículas em alta velocidade.

Esses jatos se chocam contra o gás interestelar, aquecendo e causando sua expansão. A bolha criada contém gás quente e partículas super-rápidas a diferentes temperaturas. Observações em diferentes comprimentos de onda (como raio-X, rádio e ótico) ajudam a medir essa temperatura.

Os astrônomos afirmam ainda que, ao observar as regiões onde os jatos e o gás se chocam, é possível calcular que essa bolha cresce a uma velocidade de aproximadamente 1 milhão de km/h.

"O tamanho dos jatos na NGC 7793 é impressionante quando comparado com o tamanho do buraco negro a partir do qual são ejetados", diz o coautor da pesquisa Robert Soria. "Se o buraco negro fosse do tamanho de uma bola de futebol, cada jacto iria se estender da Terra até além da órbita de Plutão."

Segundo o ESO, esse estudo ajudará em futuras pesquisas sobre semelhanças entre buracos negros pequenos formados de explosões de estrelas e os buracos negros supermassivos que se encontram no centro de galáxias.

O buraco negro observado fica a 12 milhões de anos-luz da Terra na periferia da galáxia espiral NGC 7793. Os cientistas acreditam, após calcular o tamanho e a velocidade de expansão da bolha, que esses jatos estão ativos há cerca de 200 mil anos.

Colisões de Galáxias Geram Energia para Quasares

Usando o Very Large Telescope (VLT) no Chile e o Gran Telescopio Canarias (GTC) em La Palma, uma equipe de astrônomos encontrou evidências de um quasar de alta luminosidade que é energizado pela colisão de duas galáxias.

Os quasares são os objetos mais luminosos conhecidos no universo, e residem no centro das chamadas galáxias ativas. Emitindo grande quantidade de energia a partir de suas regiões centrais, acredita-se que essas galáxias possuam também buracos negros supermassivos. A gravidade extremamente forte do buraco negro carrega material para o disco de acresção, deixando-o muito quente e emitindo a energia responsável pelo brilho do quasar. Ao redor desse motor central existe um espesso toros no qual a luz visível emitida pelo disco de acresção não pode ser vista. Contudo, do ponto de vista terrestre, se esse toros estivesse voltado para nós poderíamos ver a radiação, mas se estivermos observando esse toros por uma vista inclinada, essa radiação é obscurecida.

Os astrônomos chamam esses exemplos de objetos que estão de frente para a Terra de quasares do tipo 1 e aqueles que se apresentam de lado de tipo 2. “Os quasares do tipo 2 são ainda uma família desconhecida de galáxias, que ao longo do tempo têm sido investigados mais do ponto de vista estatístico”, explica o líder da equipe, Montserrat Villar-Martin. “O objetivo do nosso trabalho é estudar as características individuais desse tipo de quasar em detalhe. Nos nossos estudos já encontramos algumas surpresas. Por exemplo, observamos uma nebulosa gigantesca de gás ionizado associado com o quasar SDSS J0123+00, e sinais de uma interação com uma galáxia próxima”.

Mesmo que os quasares do tipo 2 sejam mais difíceis de serem identificados, a pouca radiação central emitida pelo toros de energia permite que o ambiente ao redor do quasar seja estudado em detalhe, sem a interferência dessa radiação. No caso do SDSS J0123+00, a descoberta de uma nebulosa apagada de gás ionizado ao redor da galáxia, que cobre uma área seis vezes maior que a nossa galáxia, a Via Láctea, e a localização de um buraco na ponte que o liga a uma galáxia vizinha, fortalece a idéia de que as atividades que acontecem nas galáxias são parcialmente responsáveis pela troca de material entre as galáxias ativas. A acumulação de gás na ponte de interação poderia fornecer material suficiente para alimentar o buraco negro enquanto talvez fosse responsável também por disparar a formação de novas estrelas.

O estudo é o primeiro baseado nas imagens derivadas com o filtro ajustável do Optical System for Imaging and Low Resolution Integrated Spectroscopy (OSIRIS) acoplado ao GTC, e os resultados serão publicados na revista técnica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Astrônomos detectam 'supertempestade' em planeta distante

Ilustração do planeta HD209458b, muito próxim,o de sua estrela. Divulgação/ESO

estadao.com.br

Pela primeira vez, cientistas mediram uma "supertempestade" na atmosfera de um planeta fora do sistema Solar, o "Júpiter quente" HD209458b. Observações do movimento do gás monóxido de carbono mostram que ele está fluindo a uma velocidade enorme do lado diurno, extremamente quente, para o lado noturno do planeta. Essas observações também permitiram calcular a velocidade orbital do planeta e, com isso, determinar sua massa. Os resultados aparecem na edição desta semana da revista Nature.

"HD209458b definitivamente não é um lugar para quem tem coração fraco", disse o líder da equipe de astrônomos, Ignas Snellen. "Encontramos indício de um supervento, soprando à velocidade de 5.000 km/h a 10.000 km/h".

HD209458b é um planeta com cerca de 60% da massa de Júpiter, e orbita uma estrela semelhante ao Sol a 150 anos-luz da Terra, na direção da constelação de Pégaso. Ele se mantém a uma distância de sua  estrela que é apenas 5% da que separa a Terra do Sol, e é intensamente aquecido pelo astro.

A temperatura da superfície é de cerca de 1.000º C, no lado quente. Mas como o planeta mantém sempre a mesma face voltada para a estrela, existe uma disparidade de temperatura muito grande entre os dois lados.

Este foi o primeiro exoplaneta - como são chamados os mundos em órbita de estrelas que não o Sol - a ser descoberto em trânsito, isto é, cortando a linha que liga a estrela aos observadores na Terra.

A cada três dias e meio, ele passa diante de sua estrela, bloqueando uma pequena fração da luz emitida pelo astro. Quando isso acontece, parte da luz da estrela passa através da atmosfera do planeta, e parte carregando a assinatura das substâncias que a compõem.

Uma equipe internacional de cientistas usou o telescópio VLT, mantido pelo Observatório Europeu Sul (ESO), no Chile, para medir essa assinatura.

Lua Dourada

Essa é só para admirar: uma vista do pôr da Lua nos Andes Chilenos, afundando por trás do Very Large Telescope (VLT), um conjunto europeu de quatro telescópios de 8 metros de diâmetro cada um. O tom amarelado é um reflexo da luz do Sol, que começava a despontar no lado oposto do horizonte naquele momento.

Não se trata de uma montagem. A Lua parece gigantesca na imagem porque está muito próxima da linha do horizonte e o contraste com objetos mais próximos no solo (neste caso, o VLT) faz ela parecer “aumentada”. Além disso, a foto foi feita com uma lente de 500 mm, o que cria uma “ilusão” de que todos os objetos na imagem estão a uma mesma distância do observador. Quando, na verdade, ela está a 384 mil km da Terra.

Fonte: Estadão.com

Um choque entre duas galáxias que giram em torno de um buraco negro

A Nasa (agência espacial norte-americana) divulgou uma imagem que captou o choque de duas galáxias que giram em torno de um buraco negro. A imagem foi feita por três telescópios espaciais da agência espacial e mostra as galáxias NGC 6872 e IC 4970. Os dados do Observatório Chandra de Raios-X da Nasa são mostrados em púrpura. Já a contribuição via espectro infravermelho do Telescópio Espacial Spitzer está em vermelho. Há também os dados ópticos do Very Large Telescope (VLT, na sigla em inglês, ou "Telescópio Muito Grande"), em um misto de cores vermelha e azul. Astrônomos acreditam que buracos negros supermassivos existam no centro da maioria das galáxias. Não apenas as galáxias e os buracos negros parecem coexistir, mas eles também parecem essencialmente vinculados à evolução delas. Para melhor compreender esta relação simbiótica, os cientistas se voltaram para buracos negros em rápido crescimento, chamados Núcleos Galácticos Ativos (AGN, na sigla em inglês). Com isso, buscam estudar como os buracos negros são afetados por seu ambiente galático. Os últimos dados dos telescópios Chandra e Spitzer mostram que a IC 4970, a pequena galáxia no topo da imagem, contém um buraco negro AGN fortemente envolvido por gás e poeira. Isto significa que, em telescópios de luz óptica, como o VLT, há pouco para ver. Já os raios-X e a luz infravermelha podem penetrar neste véu e revelar o show de luzes gerado enquanto materiais são aquecidos antes de cair no buraco negro. Apesar do gás e poeira escuros em volta da galáxia IC 4970, os dados do telescópio Chandra conseguem indicar que não há gás quente suficiente nessa galáxia para servir de combustível ao crescimento do buraco negro. Assim, a fonte de alimento para esse buraco negro deve estar na galáxia parceira, a NGC 6872. As duas galáxias estão no processo de uma colisão, e a atração gravitacional da IC provavelmente tragou algo do profundo reservatório de gás da galáxia NGC. Isso forneceria então o combustível para o buraco negro gigante. Ambas estão a aproximadamente 300 milhões de anos-luz, na direção da constelação do Pavão.

Créditos: NASA

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