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Lua contém prata e mercúrio (além de água)


Paula Rothman, de INFO Online

Análise de amostras lunares revela que nosso satélite natural possui não somente grande quantidade de água, mas também outros elementos, como mercúrio, sódio, cálcio e até mesmo prata.

Um ano após a descoberta de moléculas de água na Lua, novos dados das missões Lunar CRater Observation and Sensing Satellite (LCROSS) e Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), da Nasa, mostram que o solo lunar à sombra das crateras é rico em materiais bastante úteis ao homem.

Além disso, os dados revelam que a Lua parece ser quimicamente ativa e possui um ciclo completo de água. As descobertas foram publicadas hoje na Science.

Bombardeando a Lua

No dia 9 de outubro de 2009, a LCROSS propositalmente lançou a nave Centaur na cratera Cabeus, perto do pólo sul lunar. A ideia era levantar o material do fundo da cratera para que sua composição fosse analisada. A Centaur atingiu a lua a mais de 9.000 km/h, enviando uma nuvem de material a cerca de 20 km de altura.

Esses detritos, que podem ter ficado escondidos do Sol por bilhões de anos, foram então analisados por instrumentos da LCROSS e LRO.

O que os pesquisadores notaram foram cristais de água pura erguidos com o impacto. O local escolhido para o impacto, a cratera Cabeus, pode ser uma das regiões mais ricas em água, uma vez que o gelo pode compor até 4% do seu peso.

Além disso, esse material continha substâncias “voláteis” – ou seja, elementos que congelam nas frias crateras mas se vaporizam facilmente ao serem expostos à luz do Sol. Segundo as análises, até 20% do material erguido pelo impacto era volátil – incluindo metano, amônia, gás hidrogênio, dióxido de carbono, monóxido de carbono, mercúrio e sódio. Também foram achadas pequenas quantidades de cálcio e magnésio, ambos na forma de gás.

A diversidade e abundância desses elementos sugerem que eles vieram de uma variedade de fontes, como cometas e asteróides, e denunciam também a presença de um ciclo ativo da água nas regiões sombreadas da Lua. Esses processos químicos em andamento na Lua podem também acontecer em asteróides, satélites naturais de outros planetas ou até mesmo nas regiões polares de Mercúrio.

Os instrumentos da NASA também descobriram a presença de metais leves, como sódio, mercúrio e até mesmo traços que indicam a possível presença de prata (embora em quantidades muito pequenas). Os dados coletados antes do impacto, com intrumentos responsáveis pelo mapeamento topográfico e medições de temperatura e concentrações de hidrogênio, revelam que a água não está igualmente distribuída nas regiões sombreadas; ela está em bolsões que podem se estender para fora da área de sombra das crateras

Para os pesquisadores, compreender o processo e o ambiente que determina a localização do gelo, como a água foi parar lá e qual seu ciclo, facilita bastante o planejamento de futuras missões à Lua – inclusive missões tripuladas. Além disso, o gás hidrogênio, a amônia e o metano poderiam ser explorados para produzir combustível no caso da instalação de uma base lunar. 

Cientistas acham água na Lua, mas ainda não sabem sua origem

Segundo cientistas, sonda encontrou água na água na cratera Cabeus

Portal Terra

Apenas 9 meses após lançar um projétil para estudar a estrutura da Lua, os cientistas sabem com segurança que há água no satélite terrestre, mas seguem sem saber qual é a sua origem, afirmou a Nasa - a agência espacial americana. Os cientistas, que participam nesta semana do Fórum de Ciência da Nasa em Mountain View (Estado americando da Califórnia), também dizem saber que a água encontrada está em lagos e não em oceanos vastos, mas ainda não descobriram a sua origem.

O assunto foi tratado em Mountain View por vários pesquisadores liderados por Anthony Colaprete, chefe da missão da Nasa para o projeto LCROSS, um satélite de observação enviado à Lua para determinar a presença ou ausência de gelo de água na cratera Cabeus. Durante o encontro, os pesquisadores confirmaram que o impacto de um projétil na superfície lunar permitiu analisar o pó levantado e isto revelou concentrações de cristais de água.

"Descobrimos um ambiente totalmente novo", disse Colaprete. "É muito mais frio que o antecipado, mas há energia, além de água e materiais de todo tipo que se acumulam ali enquanto ocorrem processos químicos". Segundo o cientista, a área "é um laboratório por si mesmo". Em novembro os técnicos do LCROSS anunciaram que a análise espectroscópica do pó levantado pelo impacto do projétil mostrava a presença de moléculas de água e hidroxil, subproduto da água constituído por um átomo de hidrogênio e um de oxigênio.

Os cientistas indicaram ontem no fórum que o LCROSS desceu em um oásis com uma paisagem seca, mas que é provável que a Lua contenha áreas úmidas. "Há áreas de concentração relativamente alta, úmidas ou mais úmidas que nosso deserto do Saara", indicou Colaprete. "Eu sei que isso não soa muito úmido, mas na Lua equivale a um pântano".

"Partem daí as questões: como a água chegou à Lua? E como se distribuiu desde então? Esta é uma informação realmente importante para a prospecção", disse Colaprete, que afirmou que a Nasa quer ir à Lua com "com veículos móveis" e não desejaria "descer em uma área qualquer".

Radar da Nasa descobre gelo no Polo Norte da Lua

Um radar norte-americano lançado em um foguete indiano detectou crateras cheias de gelo no Pólo Norte da Lua, indicaram cientistas da Nasa. Foto:Ho/AFP

WASHINGTON (AFP) - Um radar norte-americano lançado em um foguete indiano detectou crateras cheias de gelo no Polo Norte da Lua, indicaram cientistas da Nasa.
O radar Mini-SAR da agência espacial norte-americana identificou mais de 40 pequenas crateras de 1,6 a 15 quilômetros, todas cheias de gelo.
"Embora o total de gelo dependa de sua espessura em cada cratera, estima-se que poderá haver pelo menos 600 milhões de toneladas métricas de água congelada", indicou a Nasa em um comunicado.
A descoberta ocorre poucas semanas depois de o presidente Barack Obama ter frustrado as ambições dos Estados Unidos de retornarem com astronautas à Lua.
A descoberta "mostra que a Lua é um destino mais interessante e atraente no aspecto científico, operacional e de exploração do que as pessoas pensavam anteriormente", indicou Paul Spudis, principal pesquisador do experimento Mini-SAR no Lunar and Planetary Institute de Houston, Texas (sul).
O Mini-SAR passou o último ano mapeando as crateras lunares que estão permanentemente na sombra e que não são visíveis da Terra, usando as propriedades de polarização das ondas de rádio.
As descobertas do radar, que serão divulgadas no jornal Geophysical Research Letters, seguem as descobertas de outros instrumentos da Nasa e se somam às informações científicas sobre as diversas formas de água encontradas na Lua.
O Moon Mineralogy Mapper da Nasa, também a bordo do satélite indiano Chandrayaan-1, descobriu moléculas de água nos pólos da Lua, enquanto que o Lunar Crater Observation and Sensing Satellite (LCROSS) da Nasa detectou vapor de água.
Os cientistas indianos da missão Chandrayaan-1 -um satélite lançado em outubro de 2008 que deve orbitar dois anos ao redor da Lua- confirmaram as descobertas norte-americanas, após a análise das ondas luminosas captadas pelos instrumentos norte-americanos.

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