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Astrônomos medem objeto gelado nos confins do sistema solar

BBC NEWS

Um grupo de astrônomos de vários países disse ter observado, pela primeira vez, um objeto gelado em órbita além de Netuno, nos confins do Sistema Solar.

O objeto é conhecido como KBO 55636 (sigla para "Kuiper Belt Object", Objeto do Cinturão de Kuiper) porque habita a região chamada Cinturão de Kuiper, onde estão agrupados milhares de objetos remanescentes do período em que se formou o sistema solar.

Os astrônomos sabiam da existência do KBO 55636 há vários anos, mas só puderam vê-lo porque ele passou na frente de uma estrela brilhante e refletiu sua luz.

Ilustração de corpo celeste encontrado depois de Netuno, no Cinturão de Kuiper.

Liderados pelos Estados Unidos, cientistas de 18 observatórios espaciais em vários pontos do planeta participaram da busca. Eles descrevem suas observações na revista científica Nature.

Momento Oportuno

Quando um corpo celeste esconde uma estrela ao passar em frente a ela no espaço, ocorre o que os astrônomos chamam de "ocultação estelar".

A equipe usou uma ocasião como essa para estudar o KBO 55636. Eles disseram à revista Nature que a ocultação durou apenas dez segundos, mas foi suficiente para que eles determinassem o tamanho e a capacidade de reflexão do objeto.

O Cinturão de Kuiper ocupa uma região que fica além da órbita do planeta mais distante do Sistema Solar, Netuno.

Ele é semelhante a um cinturão de asteroides, mas em vez de ser composto principalmente de rochas e metais, a maioria dos objetos que agrupa é feita de materiais voláteis - metano, amônia e água.

Colisão Espacial

Até agora, especialistas conseguiram detectar mais de mil KBOs, mas eles acreditam que haja cerca de 70 mil deles.

O autor principal do estudo, James Elliot, professor de astronomia planetária do Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Massachusetts, nos Estados Unidos, disse à BBC que o KBO 55636 foi formado, provavelmente, como resultado de uma colisão espacial ocorrida há um bilhão de anos.

Ele disse que um planeta anão conhecido como Haumea pode ter sido atingido por outro objeto e o impacto teria levado a crosta gelada que cobria o Haumea a se partir em uma dúzia de pedaços menores, entre eles, o KBO 55636.

O Cinturão de Kuiper abriga pelo menos três planetas anões. Um deles é Plutão, o maior KBO de que se tem conhecimento.

Elliot explicou que para poder ver o KBO 55636 no exato momento em que passava em frente a uma estrela, ele teve de reunir uma equipe de 42 astrônomos de 18 observatórios na Austrália, África do Sul, México e Estados Unidos.

"Vínhamos calculando com precisão a posição do KBO há vários anos", ele disse.
"Com uma órbita precisa, projetamos onde ele ia estar no céu e procuramos por estrelas que ele poderia ocultar".

O cientista explicou que foi difícil prever exatamente onde o KBO iria passar.

Para maior segurança, a equipe pediu o auxílio de vários observatórios espaciais situados em uma faixa de 5.900 km da superfície da Terra. Esse trecho correspondia ao percurso que, os especialistas previam, seria percorrido pela sombra do corpo celeste.

"Foi uma forma de maximizar nossas chances de acertar", ele explicou.

De 18 telescópios apontados para o céu, apenas dois observatórios, ambos no Havaí, conseguiram detectar a ocultação estelar de dez segundos.

Alta Reflexão


Usando a medida exata do tempo durante o qual a estrela ficou oculta e a velocidade da sobra do KBO se movendo pelo Havaí, os astrônomos puderam determinar o tamanho do objeto --cerca de 300 km de diametro-- e a sua capacidade de refletir a luz.

Eles imaginavam que a superfície do KBO 55636 seria opaca, com pouca capacidade de reflexão por causa do acúmulo de poeira e bombardeios de raios cósmicos, mas foram surpreendidos.

"Descobrimos que esse objeto é muito menor do que achávamos e que tem bastante capacidade de reflexão - ele reflete a maior parte da luz que atinge sua superfície".

Elliot explicou que a superfície do objeto é provavelmente feita de gelo - como a superfície de Plutão. Mas não soube explicar por que o índice de reflexão do KBO 55636 é tão alto.

"Talvez porque superfícies compostas de gelo sejam mais robustas e não se escureçam com o impacto de raios cósmicos e outras coisas que escurecem outras superfícies".

Hubble faz primeiro panorama da superfície de Plutão

Imagens revelam superfície e mostram que o planeta passou por transformações entre 2000 e 2003.

Carlos Orsi, do estadao.com.br

SÃO PAULO - As melhores imagens já feitas até hoje da superfície do planeta-anão Plutão foram apresentadas nesta quinta-feira, 4. Segundo o pesquisador Marc Buie, do Instituto de Pesquisa Sowthwest, as fotos foram feitas entre 2002 e 2003. As imagens, obtidas a partir da combinação de mais de 300 quadros individuais são, segundo ele, "a melhor aproximação possível da verdadeira aparência de Plutão", imaginando-se que o astro está sendo visto, a olho nu, de uma distância comparável à que separa a Terra da Lua. "Assim, não dá para ver detalhes da superfície, como crateras, por exemplo".

As imagens mostram um Plutão amarelado, com manchas escuras. Além disso, Buie e Mike Brown - o descobridor do planeta-anão Eris, feito que acabou levando à remoção de Plutão da lista de planetas do Sistema Solar e ao surgimento da categoria de planeta-anão - disseram, em entrevista coletiva organizada pela Nasa, que as imagens de 2002 e 2003 do Hubble, se comparadas à série histórica de observações de Plutão feitas até 2000, mostram um planeta agora muito mais "vermelho".

"Mais vermelho, no caso, significa algo que reflete mais luz vermelha que azul", disse Buie, explicando como um planeta amarelado poderia ser chamado de "vermelho".

Imagens do planeta-anão Plutão obtidas pelo Hubble, em três diferentes meridianos. HST/Nasa-ESA

Segundo Buie e Brown, a causa exata desse "avermelhamento" súbito e, para os padrões astronômicos, radical - da ordem de 25% - é um mistério, mas a coloração do planeta e suas variações provavelmente são causadas pela sublimação, migração e congelamento de gases na superfície, em movimentos que acompanham as estações.

Mesmo assim, a mudança em Plutão foi rápida demais, dado o longo ciclo sazonal do planeta.

"Plutão tem a superfície do Sistema Solar que mais muda", disse Brown. "As únicas outras superfícies que mudam de modo semelhante são as calotas polares da Terra e de Marte". Ele lembrou que outros planetas muito dinâmicos, como Júpiter e Saturno, têm atmosferas extremamente densas e que passam por transformações constantes. Já a atmosfera de Plutão, em comparação, é quase inexistente.

As transformações em Plutão, segundo Brown, são comparáveis às que poderiam acontecer na Terra se a temperatura média do planeta oscilasse em mais de 100 graus entre uma estação e outra.

Imagens de Plutão em outros meridianos, também obtidas pelo Hubble. HST/Nasa-ESA

Ele lembrou que Plutão é um corpo do Cinturão de Kuiper, um conjunto de objetos que existe a uma grande distância do Sol, para além do planeta Netuno.

Segundo ele, esses corpos têm órbitas "extremas", muito alongadas e, portanto, bem diferentes do caminho quase circular que a Terra percorre no interior do Sistema Solar. Por conta disso, os objetos do cinturão experimentam uma grande diversidade de condições ao longo de suas trajetórias. De acordo com a Nasa, a atmosfera de Plutão dobrou de massa entre 1988 e 2000, possivelmente por conta da sublimação do gelo de nitrogênio depositado na superfície, à medida que o planeta-anão se aproxima do Sol.

Plutão só retornará a sua distância máxima em relação ao Sol dentro de mais de 100 anos. Buie comentou ainda que as estações do "ano" plutoniano - que dura 248 anos terrestres - são assimétricas. "Na Terra, cada estação dura três meses", comparou ele. "Em Plutão, é como se uma estação tivesse um mês e outra, cinco".

As imagens do Hubble serão usadas para orientar a passagem da sonda New Horizons pelo planeta-anão, prevista para ocorrer em 2015. Até que a New Horizons faça suas próprias fotos, essas imagens serão as mais precisas em existência a retratar Plutão.

Sonda New Horizons na metade do caminho para Plutão

Uma veloz sonda da NASA está agora na metade do caminho para Plutão, e rumo à um encontro com o distante e gélido mundo em 2015.

Nesta Terça-feira, a sonda New Horizons da NASA estava à cerca de 2,463 bilhões de km da Terra, e 2,462 bilhões de km de Plutão, desta forma a sonda está mais perto de Plutão do que do nosso lar. A sonda irá sobrevoar o planeta anão e suas luas no dia 14 de Julho de 2015, antes de mergulhar mais fundo no Cinturão de Kuiper nas partes externas do Sistema Solar.

“Este é o primeiro de vários marcos nos próximos 10 meses que marcam os caminhos intermediários da jornada para a fronteira do Sistema Solar, onde Plutão está,” disse Alan Stern, investigador principal do New Horizons.

A sonda está pouco além do ponto intermediário entre as órbitas de Saturno e Urano, e está rumo à Plutão à uma velocidade de 1,2 milhões de km por dia.

A New Horizons está atualmente em modo de hibernação, coletando dados de impactos de poeira interplanetária enquanto voa. A equipe de Stern planeja acordar a sonda brevemente no dia 5 de Janeiro por 10 dias para manutenção e atividades de rastreamento.

Outros marcos esperam pela New Horizons em 2010. No dia 25 de Fevereiro, a sonda terá feito metade da distância de viagem real à Plutão. No dia 20 de Abril, ela estará na metade do caminho entre o Sol e seu ponto de encontro com Plutão. E no dia 17 de Outubro, a sonda irá ter chegado à metade de seu tempo de voo até Plutão, com mais cinco anos para viajar.

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