Hubble faz primeiro panorama da superfície de Plutão

Imagens revelam superfície e mostram que o planeta passou por transformações entre 2000 e 2003.

Carlos Orsi, do estadao.com.br

SÃO PAULO - As melhores imagens já feitas até hoje da superfície do planeta-anão Plutão foram apresentadas nesta quinta-feira, 4. Segundo o pesquisador Marc Buie, do Instituto de Pesquisa Sowthwest, as fotos foram feitas entre 2002 e 2003. As imagens, obtidas a partir da combinação de mais de 300 quadros individuais são, segundo ele, "a melhor aproximação possível da verdadeira aparência de Plutão", imaginando-se que o astro está sendo visto, a olho nu, de uma distância comparável à que separa a Terra da Lua. "Assim, não dá para ver detalhes da superfície, como crateras, por exemplo".

As imagens mostram um Plutão amarelado, com manchas escuras. Além disso, Buie e Mike Brown - o descobridor do planeta-anão Eris, feito que acabou levando à remoção de Plutão da lista de planetas do Sistema Solar e ao surgimento da categoria de planeta-anão - disseram, em entrevista coletiva organizada pela Nasa, que as imagens de 2002 e 2003 do Hubble, se comparadas à série histórica de observações de Plutão feitas até 2000, mostram um planeta agora muito mais "vermelho".

"Mais vermelho, no caso, significa algo que reflete mais luz vermelha que azul", disse Buie, explicando como um planeta amarelado poderia ser chamado de "vermelho".

Imagens do planeta-anão Plutão obtidas pelo Hubble, em três diferentes meridianos. HST/Nasa-ESA

Segundo Buie e Brown, a causa exata desse "avermelhamento" súbito e, para os padrões astronômicos, radical - da ordem de 25% - é um mistério, mas a coloração do planeta e suas variações provavelmente são causadas pela sublimação, migração e congelamento de gases na superfície, em movimentos que acompanham as estações.

Mesmo assim, a mudança em Plutão foi rápida demais, dado o longo ciclo sazonal do planeta.

"Plutão tem a superfície do Sistema Solar que mais muda", disse Brown. "As únicas outras superfícies que mudam de modo semelhante são as calotas polares da Terra e de Marte". Ele lembrou que outros planetas muito dinâmicos, como Júpiter e Saturno, têm atmosferas extremamente densas e que passam por transformações constantes. Já a atmosfera de Plutão, em comparação, é quase inexistente.

As transformações em Plutão, segundo Brown, são comparáveis às que poderiam acontecer na Terra se a temperatura média do planeta oscilasse em mais de 100 graus entre uma estação e outra.

Imagens de Plutão em outros meridianos, também obtidas pelo Hubble. HST/Nasa-ESA

Ele lembrou que Plutão é um corpo do Cinturão de Kuiper, um conjunto de objetos que existe a uma grande distância do Sol, para além do planeta Netuno.

Segundo ele, esses corpos têm órbitas "extremas", muito alongadas e, portanto, bem diferentes do caminho quase circular que a Terra percorre no interior do Sistema Solar. Por conta disso, os objetos do cinturão experimentam uma grande diversidade de condições ao longo de suas trajetórias. De acordo com a Nasa, a atmosfera de Plutão dobrou de massa entre 1988 e 2000, possivelmente por conta da sublimação do gelo de nitrogênio depositado na superfície, à medida que o planeta-anão se aproxima do Sol.

Plutão só retornará a sua distância máxima em relação ao Sol dentro de mais de 100 anos. Buie comentou ainda que as estações do "ano" plutoniano - que dura 248 anos terrestres - são assimétricas. "Na Terra, cada estação dura três meses", comparou ele. "Em Plutão, é como se uma estação tivesse um mês e outra, cinco".

As imagens do Hubble serão usadas para orientar a passagem da sonda New Horizons pelo planeta-anão, prevista para ocorrer em 2015. Até que a New Horizons faça suas próprias fotos, essas imagens serão as mais precisas em existência a retratar Plutão.

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