Descoberta reforça hipótese de oceano em lua de Saturno

Íons de água são mais um indfício de que é material líquido, e não gelo, que alimenta os gêiseres de Encélado.

estadao.com.br

Em passagens recentes pelo jato de água congelada emitido por Encélado, uma das luas de Saturno, o espectrômetro de plasma da sonda Cassini encontrou quantidades inesperadas de moléculas dotadas de carga elétrica e poeira que fortalecem os argumentos em favor da presença de água em estado líquido e ingredientes da vida no astro gelado.

O espectrômetro de plasma, projetado originalmente para estudar o ambiente magnético de Saturno, mede a densidade, fluxo, temperatura e velocidade dos elétrons e íons - fragmentos de átomos e moléculas dotados de carga elétrica - que entram no instrumento. Desde a descoberta do gêiser de gelo de Encélado, no entanto, o espectrômetro também tem ajudado a analisar material captado dos jatos.

A pluma de gelo e vapor emitida por Encélado foi descoberta num estágio anterior da missão Cassini. Desde então, cientistas determinaram que as partículas ejetadas pela lua vão formar o anel E do planeta gigante, além de dominar o ambiente magnético ao redor de Saturno.

Agora, os pesquisadores ligados à Cassini informam ter descoberto íons de carga negativa na pluma de material. A maioria deles é de água, mas também há outros hidrocarbonetos. A descoberta é descrita na revista científica Icarus.

Com isso, a lua se junta à Terra, a cometas e a outro satélite de Saturno, Titã, como um dos locais do Sistema Solar onde essas partículas já foram detectadas. Íons negativos de oxigênio foram encontrados na alta atmosfera terrestre nos primórdios da era espacial. Na superfície terrestre, íons negativos de água são encontrados onde existe água em movimento violento, como em quedas d'água e no choque de ondas no oceano.

"Embora a presença de água lá não seja surpreendente, esses íons, que duram pouco, são uma evidência a mais de que há água, carbono e energia, alguns dos principais ingredientes da vida, presentes", diz o principal autor do trabalho, Andrew Coates, do University College London.

"A surpresa para nós foi ver a massa desses íons. Há diversos picos no espectro, e quando os analisamos, vimos o efeito das moléculas de água aglomerando-se, uma após a outra".

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