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Arqueólogos querem determinar causa da morte de Tycho Brache


Tycho Brahe descobriu alguns dos mistérios do Universo no século 16 – e agora, cientistas contemporâneos querem desvendar o mistério de sua morte repentina. Nesta segunda-feira (15/11/2010), uma equipe internacional de pesquisadores abriu seu túmulo em uma igreja de Praga, onde o dinamarquês está enterrado desde 1601.

As precisas observações astronômicas de Brahe, que ajudaram a fundar os princípios da astronomia moderna, são bem conhecidas e documentadas, mas as circunstâncias de sua morte aos 54 anos são mais nebulosas.

Nascido em 1546 no castelo de sua família, Brahe estava em Praga em 1601 a convite do imperador Rodolfo II, após um desentendimento com rei dinamarquês tê-lo feito abandonar seu observatório na ilha de Hven.

Sempre se imaginou que Brahe teria morrido de uma doença nos rins ou uma infecção na bexiga – e diz-se que ela foi resultado de seu receio de ir contra a etiqueta da corte ao interromper uma recepção para ir ao banheiro.

Mas exames em amostras de seus cabelos, conduzidos em 1996 na Suécia e Dinamarca – obtidos em uma exumação de 1901 – indicaram níveis incomuns de mercúrio, abrindo caminho para a teoria de intoxicação pelo metal, ou até mesmo assassinato.

Jens Vellev, professor de arqueologia medieval na Universidade de Aarhus, na Dinamarca, está liderando o grupo de cientistas. Eles têm até sexta-feira para exumar os restos de Brache e de sua esposa, que foi enterrada a seu lado três anos após sua morte, e levarão as amostras para o departamento de arqueologia do Museu Nacional Tcheco. Os resultados serão anunciados no próximo ano.

O túmulo de Brache foi levantado do chão da igreja, e os cientistas inseriram uma microcâmera para avaliar seu estado. Seus restos estavam em uma caixa de estanho de um metro, localizada a 1,6 metros abaixo da superfície.

Vellev afirmou que decidiu pedir permissão da igreja e das autoridades de Praga para reabrir a tumba porque não houve um relatório arqueológico adequado da exumação de 1901. Ele também espera conseguir amostras melhores do bigode e dos cabelos de Brache, e pela primeira vez, conseguir pedaços de ossos, que poderiam ser examinados pela primeira vez com as últimas tecnologias. “Como cientista, ele é importante para todo o mundo,” disse o professor.

Os exames vão tomografias computadorizadas, técnicas modernas de raio-x e análises atômicas. Vellev acredita que os testes vão conseguir estabelecer que os níveis de mercúrio ingeridos por Brache na suas últimas semanas de vida foram fatais, possivelmente vindos de um analgésico. “Talvez nós cheguemos perto da verdade, mas não acredito que conseguiremos uma resposta definitiva,” afirmou.

Os cientistas também estão interessados no crânio do astrônomo. Brache teve parte de seu nariz amputado durante um duelo em 1566, enquanto estudava na cidade alemã de Rostock, e o pedaço faltante foi substituído por uma placa de metal. A placa não foi encontrada em 1901, mas os exames devem conseguir determinar sua composição, provavelmente uma liga de prata com cobre, segundo Vellev.

Tycho Brahe

Tycho Brahe (14 de Dezembro de 1546 - 24 de Outubro de 1601) foi um astrônomo dinamarquês. Teve um observatório chamado Uranienborg na ilha de Ven no Oresund entre a Dinamarca e a Suécia.

Tycho esteve ao serviço de Frederico II da Dinamarca e mais tarde do imperador Rodolfo II, é um dos representantes mais prestigiosos da ciência nova - a ciência renascentista que abrira uma brecha no sólido edifício construído pela Idade Média, baseado na síntese da tradição bíblica e da ciência de Aristóteles. Continuando o trabalho iniciado por Copérnico, foi acolhido pelos sábios ocidentais com alguma relutância. Estudou detalhadamente as fases da lua e compilou muitos dados que serviriam mais tarde a Johannes Kepler para descobrir uma harmonia celestial existente no movimento dos planetas, padrão esse conhecido como leis de Kepler.

A adesão de Tycho à ciência nova levou-o a abandonar a tradição ptolomaica, a fim de chegar a novas conclusões pela observação directa. Baseando-se nesta, construiu um sistema no qual, sem pretender descobrir os mistérios do cosmos, chega a uma síntese eléctrica entre os sistemas que poderíamos chamar de tradicionais e o de Copérnico.

Tycho foi um astrônomo observacional da era que precedeu à da invenção do telescópio, e as suas observações da posição das estrelas e dos planetas alcançaram uma precisão sem paralelo para a época. Após a sua morte, os seus registos dos movimentos de Marte permitiram a Johannes Kepler descobrir as leis dos movimentos dos planetas, que deram suporte à teoria heliocêntrica de Copérnico. Tycho não defendia o sistema de Copérnico mas propôs um sistema em que os planetas giram à volta do Sol e o Sol orbitava em torno da Terra.

Em 1599, por discordar com o novo rei do seu país, mudou-se para Praga, construiu um novo observatório onde trabalhou até morrer em 1601.

Tycho morreu em 24 de outubro de 1601, onze dias depois de ficar muito doente durante um banquete. Ele permaneceu doente por onze dias e consta que teria dito a Kepler: "Ne frustra vixisse videar!", "Não me deixe parecer ter vivido em vão". Por centenas de anos, a crença geral foi que ele teria morrido de um problema na bexiga. Foi dito que ele teria evitado de sair do banquete antes do fim, por boas maneiras, e que teria estressado sua bexiga ao limite, desenvolvendo uma infecção que o matou. Esta teoria foi apoiada pelo relato de Kepler.

Investigações recentes sugerem que Tycho morreu não de problemas urinários, mas de envenenamento por mercúrio, níveis extremamente tóxicos foram encontrados em seus cabelos e na raiz dos cabelos. Tycho pode ter se envenenado tomando medicamentos contendo impurezas não-intencionais de cloreto de mercúrio, ou pode ter sido envenenado. De acordo com um livro de 2005 de Joshua Gilder e Anne-Lee Gilder, há evidências substanciais de que Kepler assassinou Brahe; eles argumentam que Kepler tinha os meios, motivos, e oportunidade, e roubou os dados de Tycho com sua morte. De acordo com os Gilders, seria improvável que Tycho tivesse se envenenado, uma vez que ele era um alquimista conhecido por ser familiarizado com a toxidade dos diferentes compostos de mercúrio.

Em 1566, quando era estudante, Tycho Brahe duelou com um nobre dinamarquês, Manderup Parsbjerg. Ele acabou perdendo um pedaço do nariz. Pelo resto de sua vida ele usou uma prótese que seria de ouro e prata. Porém, em 1901, sua tumba foi aberta e observou-se que o osso no crânio, na região do nariz, tinha cor verde, sinal de exposição ao cobre. Alguns historiadores especularam que ele teria tido várias próteses para diferentes ocasiões, notando que uma de cobre poderia ser mais leve e confortável que uma de metal precioso.

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