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Observatório Nacional: Nobel de Física vai para descoberta da expansão acelerada do universo

Observatório Nacional: Nobel de Física vai para descoberta da expansão acelerada do universo:

Veja - Ciência
Cosmologia

Laureados analisaram explosões de estrelas distantes para descobrir que o universo, ao contrário do que se acreditava, está em expansão acelerada.

De acordo com os laureados, o universo está em expansão acelerada.

A Academia Real Sueca de Ciências anunciou na manhã de terça-feira que o Prêmio Nobel de Física de 2011 será dividido entre três cosmólogos: os americanos Saul Permutter e Adam Riess e o australiano-americano Brian Schmidt. Os três descobriram que o universo está em expansão acelerada por meio de observações de explosões estelares distantes, também conhecidas por supernovas.

Cosmologia é uma área da astronomia que estuda a origem, estrutura e evolução do universo. A teoria do Big Bang, por exemplo, é amplamente discutida por cosmólogos.

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Matéria Escura (Dark Matter) e Cosmologia (Cosmology)

http://www.if.ufrgs.br/pos/

Matéria Escura (Dark Matter) e Cosmologia (Cosmology)


 
Aglomerado Abell 2218

Imagem do aglomerado de galáxias Abell 2218, obtida com o telescópio espacial Hubble em Janeiro de 2000. A concentração de massa do aglomerado forma uma "lente gravitacional", que distorce as imagens das galáxias mais distantes na forma de arcos.

Introdução

Cerca de 90% do Universo é escuro, ou seja, não emite radiação eletromagnética. Só sabemos da existência desta matéria escura através da força gravitacional que exerce nos objetos cuja radiação podemos observar. As evidênicas da presença de matéria escura somente aparecem em grandes escalas e discutiremos neste texto tres tipos de evidências de sua presença: (1) o estudo do movimento orbital de galáxias dentro de um aglomerado; (2) o estudo do movimento das estrelas no disco das galáxias espirais; (3) o estudo das lentes gravitacionais.


Primeira evidência: Aglomerados de galáxias

Uma das primeiras evidências da existência de matéria escura surgiram através do estudo do movimento orbital das galáxias em aglomerados  (que contêm tipicamente de centenas a milhares de galáxias), como o algomerado de Coma e de Virgem. O que estes estudos encontraram foi que as velocidades das galáxias eram da ordem de dez a cem vezes maiores do que se esperava.

A massa do aglomerado pode ser obtida através do teorema do Virial, na hipótese de que as galáxias dentro do aglomerado tenham atingido uma situação de "equilíbrio" orbital (ou seja, suas órbitas estejam "virializadas"). O teorema do Virial pode ser expresso como a seguinte relação entre a energia cinética T e potencial U:


              


A relação acima pode ser usada para estimar a massa M do aglomerado, sendo R  um raio médio dentro do qual se mede as velocidades das galáxias e V é a velocidade média das galáxias. Esta fórmula pode também ser usada para calcular a massa de galáxias elípticas, onde o movimento das estrelas em torno do centro da galáxia é análogo a de galáxias dentro de aglomerados, só que neste caso V seria a dispersão de velocidades (uma medida da velocidade média das estrelas) e R um raio característico da galáxia.
  
Acesse agora o site http://www.astro.queensu.ca/~dursi/dm-tutorial/dm1.html e execute o Experimento 1, que simula o movimento das galáxias dentro de um aglomerado permitindo que voce varie a massa do aglomerado observando o efeito no movimento das galáxias.

Problema: Calcule a massa de um aglomerado de galáxias que tem velocidade média das galáxias de 300 km/s e raio típico de 1 Megaparsec.

Uma outra maneira de estimar a massa do aglomerado é observar as velocidades individuais das galáxias, e impondo a condição de que todas as velocidades devem ser menores do que a velocidade de escape:


onde M é a massa do aglomerado, V é a velocidade mais alta observada e R a distância da galáxia ao centro do aglomerado.


Segunda evidência: curvas de rotação de galáxias

Esta evidência surgiu nos trabalhos de Vera Rubin e colaboradores nos anos 70, ao medirem curvas de rotação de galáxias espirais.

O que são curvas de rotação de galáxias? São curvas que medem a velocidade das estrelas ou gás orbitando no disco em torno do centro das galáxias espirais em função da distância ao centro. Assim como as órbitas dos planetas, as órbitas das estrelas e das nuvens de gás seguem as leis de Kepler,  segundo as quais a velocidade orbital em torno do potencial central cresce com a  massa central e decresce com a distância ao centro. Podemos quantificar isto através da igualdade:



A equação acima significa que a foça centrípeta que atrai  uma estrela de massa m ou qualquer outro constituinte da galáxia (como uma nuvem de gás) é fornecida pelo potencial gravitacional central de uma massa M, que seria a massa da galáxia interna ao raio R. Medindo então a velocidade V das estrelas ou das nuvens de gás nas galáxias através do efeito Doppler, pode-se calcular a massa da galáxia dentro do raio R. Se fizermos isto para as estrelas ou nuvens de gás nos bordos do disco, poderíamos em princípio calcular a massa de praticamente toda a galáxia.

Isto fica melhor ilustrado através do seguinte exemplo: acesse o link  http://www.astro.queensu.ca/~dursi/dm-tutorial/dm2.html para realizar o experimento 2, que representa uma galáxia em rotação e  permite que você varie a massa central para verificar o efeito no movimento das estrelas. Verifique como fica  a curva de rotação.

Problema: (a) Qual a dependência analítica de V em função de R observada para raios grandes (utilize a fórmula acima para responder)? (b) Utilize a fórmula acima para estimar a massa da Via Láctea, sabendo que o Sol orbita com velocidade de 220 km/s a uma distância de 8.5 kpc do seu centro.

Problema: (a) Compare a curva de rotação teórica do exemplo no experimento 2 acima com as curvas de rotação observadas por Rubin et al. (1978, ApJ, 255, L107) para várias galáxias espirais, reproduzidas na figura abaixo. O que conclui? (b) Calcule a massa dentro de um raio de 20 kpc para todas as galáxias (extrapole uma velocidade constante para além do raio limite e igual ao valor correspondente ao raio limite no caso em que este é menor do que 20 kpc). (c) Qual o tipo de Hubble ao qual corresponde maior e menor massa nesta pequena amostra?
  
 Você provavelmente notou que as curvas de rotação das galáxias acima na maior parte dos casos não caem com R-1/2 , como previsto pelo experimento. Na maior parte dos casos, as curvas continuam planas até os limites das galáxias, mesmo considerando observações em rádio, que se estendem além do limite visível da galáxia. Isto significa  que há  uma grande quantidade de matéria nas galáxias que nós não estamos vendo - a matéria escura. 

Terceira evidência: Lentes gravitacionais

As lentes gravitacionais se constituem numa ferramenta poderosa  para  "pesar" a matéria escura. Elas exigem imagens de alta qualidade para serem observadas, e por isto só recentemente têm sido utilizadas, graças ao  avanço da instrumentação astronômica, que tem levado a um crescente aprimoramento da qualidade da imagem, bem como a utilização do Telescópio Espacial, que se encontra essencialmente fora da atmosfera da Terra.

Quando a luz de uma fonte distante passa próximo a uma concentração de matéria, sua trajetória se curva fazendo a fonte parecer estar numa outra direção, produzindo também uma distorção na forma da galáxia distante. Este efeito pode ser usado para detectar e "pesar" a matéria escura, e pode ser observado em  http://www.if.ufrgs.br/~thaisa/bn/distorcao.htm

Existem lentes "fortes" que produzem efeitos espetaculares, como a famosa "cruz de Einstein". Na ilustração abaixo pode-se observar como um aglomerado de galáxias funciona como lente gravitacional:




A ilustração acima foi obtida da página http://www.lsst.org/Science/darkmatter2.shtml .
Nesta mesma página,  as simulações mostram como as imagens das galáxias distantes ficam distorcidas quando sua luz passa, no caminho até nós, por aglomerados de galáxias massivos, que distorcem o caminho da luz. Um exemplo concreto é a imagem abaixo obtida com o Telescópio Hubble que mostra múltiplas imagens de uma galáxia azul distante produzida pela grande concetração de massa de um aglomerado de galáxias mais próximo:

Em azul: múltiplas imagens de uma galáxia distante

 Uma imagem mais recente do Hubble é a da lente produzida pelo aglomerado Abell 2218, que distorce as imagens das galáxias mais distantes na forma de arcos, como observado com o telescópio espacial Hubble em Janeiro de 2000:

 
Aglomerado Abell 2218

Outros exemplos de lentes gravitacionais observadas pelo Hubble são ilustradas a seguir, mostrando galáxias individuais funcionando como lentes que distorcem imagens de galáxias mais distantes que estão aproximadamente na mesma linha de visada:


Lentes gravitacionais "fracas":

As lenter gravitacionais fortes, como as ilustradas acima, onde se observa claramente as imagens distorcidas produzidas pela lente, são uma minoria. Mas existem vários bilhões de galáxias azuis fracas distantes, cuja luz passa por aglomerados de galáxias no caminho percorrido antes de serem dectectadas pelos nossos telescópios. Certamente estes aglomerados produzem distorções nas imagens das galáxias azuis distantes, as quais são muito sutis, e sòmente podem ser medidas através de estudos estatísticos de uma grande quantidade de dados. São as chamadas lentes gravitacionais "fracas". Estas lentes podem ser usadas para medir a quantidade de massa dos aglomerados. Através de imagens profundas  em diferentes cores das galáxias azuis distantes é possível mapear lentes a diversos redshifts (ou a diferentes distâncias) e assim determinar a distribuição tridimensional de matéria escura até a época em que o Universo tinha metade da sua idade. Será então possível estudar a evolução da distribuição de massa no Universo, testando teorias de evolução do Universo e da natureza da matéria escura. Para isto faz-se necessário obter imagens de grandes regiões do Universo, ou seja, realizar "surveys".

Este é o objetivo do "Dark Matter Telescope" (DMT), um projeto que visa a construção de um telescópio de 8.4m com um campo de 7 graus quadrados, enorme quando comparado com os campos usuais de grandes telescópios, que são da ordem de alguns minutos de arco. Acesse a página seguinte para saber mais : http://www.lsst.org/Science/neo.shtml. Além de mapear a matéria escura, o DMT tem por objetivo também quantificar a contribuição da "energia escura".

O que é a Energia Escura?

Observações recentes de supernovas a grandes distâncias sugerem que a expansão do Universo nâo está se desacelerando, como seria de se esperar pela atração gravitacional da matéria que o constitui. Ao contrário, a expansão do Universo parece estar se acelerando. Estas observaçoes sugerem que o Universo possa estar dominado por uma nova forma de energia que criou uma força repulsiva, e que teria feito com que o Universo acelerasse sua expansão durante os últimos 5 a 8 bilhões de anos. Isto pode ser verificado em princípio se pudermos comparar a distribuição de massa no Universo há  5 bilhões de anos com a atual: se o Universo tiver mesmo esta "energia escura" esperamos encontrar concentrações de matéria escura muito mais massivas há 5 bilhões de anos - relativamente a concentração atual - do que em um Universo com muito pouca ou nenhuma "energia escura". 

Atenção: Não confunda matéria escura com energia escura! 

Estimativa da quantidade de matéria escura 
A densidade de matéria atual r0 do universo pode ser espressa como: 
r0=1.9 x 10-29 W h0 g cm-3 
onde W  é o parâmetro de densidade (razão entre a densidade observada e a crítica, necessária para "fechar" o Universo) e h0=H(constante de Hubble)/100. 
Observaçoes cosmológicas (satélite COBE; experimento Boomerang, etc) indicam  que W=1. Entretanto, se utilizarmos o valor observado de r0, verificamos que a massa visível corresponde a sòmenteW=0,05, ou seja, só vemos 5% da massa que constitui o Universo. A radiação eletromagnética (luz visível, raios-X, ondas de rádio, etc) - que é a maneira pela qual observamos o Universo, está nos mostrando sòmente o "topo do iceberg".  Em outras palavras, não sabemos o que constitui 95% do Universo!

As observações que descrevemos acima indicam que a matéria escura deve corresponder a W=0,35. Assim, para chegar a W=1, ainda está faltando 0.6, o que se atribui atualmente a uma constante cosmológica L não nula. Uma curiosidade a respeito da constante cosmológica é que ela foi predita originalmente por Einstein na sua teoria da Relatividade Geral. Ela era necessária justamente para fornecer uma força repulsiva nas equaçoes para prevenir o colapso do Universo devido à atração gravitacional da matéria, uma vez que Einstein assumiu que o Universo era estático. Quando Hubble mostrou que o Universo estava em expansão, a constante cosmológica passou a ser desnecessária, uma vez que se acreditava que a matéria produzisse uma desaceleração e sòmente se a quantidade de matéria fosse pequena é que o Universo puderia colapsar num futuro relativamente remoto após ter atingido um tamanho máximo. Einstein chegou a dizer que a constante cosmológica foi o maior "furo" da sua teoria. Ironicamente, estamos agora verificando que talvez esta constante exista mesmo, correspondendo a uma "densidade de energia escura" WL=0,6. Então teríamos W=Wm+WL, onde Wm =0,4. 
A densidade de matéria seria entâo Wm =0,4, sendo que a maior parte desta matéria não é visível, mas sim matéria escura. 

A natureza da matéria escura

Planetas: Possibilidades para a natureza da matéria escura começam com a consideração de que devem haver planetas orbitando a maioria das estrelas, como as observações astronômicas começam a mostrar. Entretanto, como acontece no sistema solar, todo os planetas juntos correspondem a uma porcentagem muito pequena da massa da estrela, e portanto, devem contribuir com W=0,005, no máximo, o que é muito pouco.

Estrelas pouco luminosas: Cada vez mais se descobrem anãs marrons, estrelas de baixa luminosidade difíceis de serem detectadas, bem como anãs brancas, estrelas evoluídas também de baixa luminodidade. Esse tipo de estrelas poderia contribuir também para a matéria escura. Tanto essas estrelas, como os planetas discutidos acima, são formados por matéria bariônica, ou seja, seus constituintes são bárions - prótons, nêntrons, elétrons. Esta é a matéria na forma como estamos acostumados no nosso dia a dia.

Um ponto contra a hipótese de que haja muito mais matéria bariônica do que o W=0,05 observado é a teoria da nucleosíntese predita no modelo do Big Bang. Esta teoria é muito bem sucedida ao predizer a quantidade observada de Hidrogênio e Hélio no Universo, e diz que, no máximo, a matéria bariônica pode contribuir com W=0,1.

Neutrinos: Uma questão em aberto é se os neutrinos têm massa. Observaçoes e experimentos ainda não chegaram a uma conclusão a respeito. Se sua massa chegar a 92eV, já seria suficiente para termosW=1!

WIMPS: Weakly Interactiving Massive Particles são particulas "exóticas" pesadas que interagem pouco com a matéria, como os "axions", "neutralinos", etc.

Finalmente, não podemos desconsiderar a possibilidade de que a força da gravidade em escalas galácticas e extragalácticas não se comporte como observamos e inferimos a partir de experimentos e observações  em escalas menores, e que ainda não temos uma teoria completa sobre seu comportamento.

Responda: Qual a diferença entre matéria e energia escura? 

FIS2004 - Noções de Cosmologia
Profa. Thaisa Storchi Bergmann

O que é cosmologia? É a ciência que estuda a origem e evolução do Universo.

Big-Bang: Grande explosão inicial que deu origem ao Universo e que teria ocorrido há 10-20 bilhões de anos. Esta teoria explica porque as galáxias estão se afastando umas das outras no Universo  e também prediz a existência da radiação de fundo, detectada posteriormente por Penzias e Wilson em 1964. 

Lei de Hubble

Medindo a velocidade das galáxias e estimando sua distância, Hubble encontrou uma relação entre a velocidade v e a distância D das galáxias:

v=HD

onde H, a constante de proporcionalidade é  a constante de Hubble. Em geral usa-se as unidades de Mpc (megaparsec; I Mpc=3.086 x 1019 km) para a distância e km/s para a velocidade, de forma que as unidades da constante de Hubble são km/(s Mpc). 

Determinação de distâncias usando a lei de Hubble:

Uma das maiores aplicações da lei de Hubble é a estimativa das distâncias de galáxias,
uma vez que:

D=v/H

Para velocidades medidas em km/s, e H em unidades de km/(s Mpc), obtemos, a partir da expressão acima, a distância em Mpc.

Mas como se mede a velocidade de recessão das galáxias? Através do efeito Doppler:

z=(Dl)/l0=(l-l0)/l0

onde z é o chamado redshift, l é o comprimento de onda observado de uma linha espectral e  l0  é o comprimento de onda de repouso desta linha. Por exemplo: uma linha de emissão bastante usada para medir o redshift de galáxias distantes é a linha Ha do Hidrogêncio, que tem comprimento de onda de repouso l0=6563A (ângstrons). Na ausência de linhas de emissão podemos usar linhas de absorção, como as linhas H e K do Ca II, com comprimentos de onda de repouso 3968.5A e 3933.7A, respectivamente.

Para calcular a velocidade radial a partir de z podemos usar, para velocidades pequenas, menores do que 0.01c:

v=z c

Para velocidades maiores, devemos usar a fórmula que considera efeitos relativísticos, de forma que a velocidade de recessão não ultrapasse a velocidade da luz c:

v= {[(z+1)2 -1]/[(z+1)2 +1}} c
  
Idade do Universo

Se o Universo se expandisse com velocidade constante, o tempo para uma galáxia chegar a uma distância D (partindo de um mesmo ponto para todas as galáxias, no Big-Bang) seria igual a:

t0=D/v=1/H

Este é o chamado "Tempo de Hubble". Neste cenário simplificado, esta seria a idade do Universo. Entretanto, a taxa de expansão - a constante de Hubble - não é de fato constante, mas depende do tempo, e por isto o cálculo acima da idade do Universo é somente uma aproximação para o valor mais correto.

Há até alguns anos atrás, se aceitava que o Universo deveria estar desacelerando sua expansão, devido à matéria que tenderia a atrair de volta as partículas ou galáxias, da mesma forma como o campo gravitacional da Terra atrai uma pedra que se lança para cima, por exemplo. Sendo assim, a idade do Universo deveria ser menor que o tempo de Hubble, uma vez que Universo deveria estar se expandindo mais rapidamente no passado e portanto o tempo total para a galáxia chegar à distãncia D seria menor. A idade do Universo dependeria do parâmetro de desaceleração q, que por sua vez depende da densidade de massa do Universo.  A densidade crítica  rc é aquela para a qual o Universo estaria no limite entre aberto e fechado, no qual a constante de curvatura k seria k=0. Este é o chamado Universo de Einsten-de Sitter.

Densidade crítica: rc=3H2/(8pG). 

Parâmetro de densidade: W=r/ rc, onde r é a densidade de matéria

No Universo de Einstein-de  Sitter, W=1=2q, e portanto q=1/2

Pode-se mostrar que neste caso a idade do Universo é: t0=2/(3H0) ou 2/3(1/H0). 

Para um valor da constante de Hubble H0=75 km/(s Mpc), obtemos:

t0=2/3[1/(75 km/(s Mpc))= 2 s Mpc /(3 x 75 km) = 2 x  s x 3.17x10-8 anos/s x Mpc x
 3.086x1019km/Mpc/ (3 x 75km)=8.7 bilhões de anos

Para o caso sem desaceleração temos o chamado "Tempo de Hubble"   t0=1/H0=8.7/(2/3)=13 bilhões de anos

Um "número redondo" para se memorizar seria 10 bilhões de anos como sendo a idade aproximada do Universo.

Se o Universo está acelerando sua expansão, como observações de supernovas distantes parecem sugerir, então sua idade deve ser maior do que as acima, o que é consistente com as idades estimadas das estrelas anãs brancas mais velhas da Via-Láctea, que são da ordem de 14 bilhões de anos. Uma observação recente, ilustrada abaixo, de anãs brancas num aglomerado globular da nossa galáxia realizada com o Hubble, comprova esta idade. 

Anãs brancas em M14

Para poder identificar as anãs brancas do aglomerado, o Hubble teve que obter uma imagem muito profunda, através de uma exposição correspondente a 8 dias inteiros de observação, o que permitiu levantar o diagrama HR até magnitude 30, o que possibilitou identificar as anãs brancas, marcadas com círculos na figura acima. Este resultado foi publicado em 24 de Abril de 2002.
Para mais informações, consulte a página: http://oposite.stsci.edu/pubinfo/pr/2002/10.
  
A densidade de massa do Universo

A densidade de massa atual  do Universo pode ser escrita como:

r0=W rc=1.9 x 10-29 W  h0  g cm-3

onde h0=H0/100

Observações mostram que a massa visível no Universo, na forma de galáxias e seus constituintes (estrelas, gas, poeira) correspondem a sòmente W=0.05. Entretanto, há muita evidência da existência de matéria escura, primcipalmente através de efeitos gravitacionais, que mostram, por exemplo: (1) que as galáxias espirais nas suas partes externas giram mais rapidamente do que o esperado se a matéria que as constitui fosse somente a visivel; (2) que as galáxias dentro dos aglomerados também têm velocidades orbitais maiores do que a esperada se a massa total do aglomerado fosse sòmente a visível; (3) que aglomerados de galáxias se comportam como lentes gravitacionais com massa muito maior do que a estimada a partir da luz visível. Como discutido anteriormente, estima-se que a matéria escura corresponda a  W=0.35. Assim, para W=1, ainda estariam faltando 0.6, o que poderia ser devido a uma constante cosmológica  L não nula, ou "energia escura", ou "quintessência", cuja contribuição é representada por  W L,  enquanto que a contribuição da matéria é representada por Wm.  



Look back time t em função de z:


Uma quantidade interessante, frequentemente mencionada nas notícias sobre descobertas acerca do Universo distante, é o tempo para trás, ou "look-back time" t, que consiste no intervalo de tempo passado desde que a luz deixou o objeto até chegar até nós. A expressão de t   depende de  z e de q0. Mostramos acima, na forma de gráficos, esta dependência (fonte: Peterson, B., 1997, An introduction to active galactic nuclei, Cambridge Univ. Press). Assim, se você estiver observando uma galáxia com redshift z=1, você estará vendo o Universo como ele era com a metade de sua idade, enquanto que se z=3, você estará observando o Universo com 20% da sua idade (ou cerca de 2 bilhões de anos, aproximadamente). 

Diâmetro angular dq em função de z 


Uma outra quantidade interessante é  o diâmetro angular e sua dependência com o z e q0.
Para o Universo próximo, calculamos o diâmetro angular de um objeto como sendo a razão entre seu diâmetro linear e a sua distância. Assim, o diâmetro angular cai com o inverso da distância. A teoria da gravitação, em que o espaço se curva de acordo com a quantidade de matéria que existe dentro dêle, mostra que a partir de z~1, o diâmetro angular praticamente não decresce mais, e até cresce se q0>0.1. A figura acima (extraída de Peterson 1997) mostra a dependência do diâmetro angular no valor de z.

O fato de o diâmetro angular não mais diminuir com a distância a partir de z=1 permite que resolvamos os diâmetros de galáxias a redshifts muito grandes, o que é muito bom. Por outro lado, a gravitação faz com que o brilho superficial (quantidade de energia emitida por cada segundo de arco quadrado da fonte) caia com (1+z)4, o que dificulta a observação. A tabela abaixo (extraída do livro de Peterson 1997) mostra a dependência de várias quantidades astrofísicas no valor de z.

 Referências

Karttunen, H. et al., Fundamental Astronomy, Spger-Verlag

Hipertexto sobre matéria escura  por Jonathan Dursi, Queen´s University, Kingston, Canada. (http://www.astro.queensu.ca/~dursi)

Hipertexto sobre o telescópio de matéria escura (http://www.lsst.org/Science/neo.shtml)

Peterson, B., 1997, An introduction to active galactic nuclei, Cambridge Univ. Press

Universo tem três vezes mais estrelas


Agência FAPESP

Estrelas pequenas e com pouco brilho, conhecidas como anãs vermelhas, são muito mais comuns do que se imaginava. Tão comuns que o total de estrelas no Universo pode ser o triplo do que os astrônomos estimavam.

Justamente por ser pequena e de brilho fraco, uma anã vermelha é mais difícil de identificar em observações do espaço. Tanto que os cientistas não conseguiram detectá-las em outras galáxias além da Via Láctea e suas vizinhas. Até agora.

Em artigo publicado nesta quinta-feira (2/12/2010) na revista Nature, Pieter van Dokkum (Universidade Yale) e Charlie Conroy (Universidade Princeton) descrevem a identificação de sinais de anãs vermelhas em oito galáxias elípticas, massivas e relativamente próximas, localizadas entre 50 milhões e 300 milhões de anos-luz da Terra.

As observações foram feitas com instrumentos instalados no Observatório Keck, no Havaí, e permitiram concluir que esse tipo de estrela, que tem massa entre 10% e 20% a do Sol, são bastante frequentes. É a primeira vez que se consegue estimar essa população estelar no Universo.

“Ninguém sabia quantas anãs vermelhas poderiam existir. Diferentes modelos teóricos apontaram uma ampla gama de possibilidades. Agora, conseguimos responder uma dúvida antiga sobre a abundância dessas estrelas”, disse van Dokkum.

Os pesquisadores descobriram também que há cerca de 20 vezes mais anãs vermelhas em galáxias elípticas do que na Via Láctea (espiral). “É comum pensar que as outras galáxias são como a nossa. Mas nosso estudo reforça que há outras condições possíveis em outras galáxias. Essa descoberta poderá ter um grande impacto em nossa compreensão da formação e evolução das galáxias”, disse Conroy.

Uma possível consequência, segundo Conroy, é que as galáxias podem conter menos matéria escura – a substância misteriosa que, apesar de ter massa, não pode ser observada diretamente – do que medições anteriores indicaram. A diferença é que as anãs vermelhas, abundantes, podem contribuir com mais massa do que se estimava até então.

Além de ampliar o número de estrelas no Universo, a descoberta também amplia o número de planetas em órbita dessas estrelas. O que, por sua vez, segundo van Dokkum, eleva o número de planetas que pode conter algum tipo de vida. Um exemplo é o Gliese 581, descoberto recentemente e não por coincidência em órbita de uma anã vermelha.

O artigo A substantial population of low-mass stars in luminous elliptical galaxies (doi: 10.1038/nature09578), de Pieter van Dokkum e Charlie Conroy, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com. 

Cientistas desvendam mistério sobre o tamanho das galáxias

Do R7

Estudos analisam área invisível do Universo para entender conjunto de estrelas

Para entender as características das galáxias, estudiosos analisam grande área invisível responsável por influenciar as características de todo o Universo.

As diversas galáxias que podem ser vistas no céu têm formas e tamanhos variados, mas até recentemente os estudiosos não sabiam explicar o porquês das diferenças.

Atualmente, os cientistas usam um sistema desenvolvido em computador que reconstrói a evolução cósmica há 13 bilhões de anos e ajuda a entender os diferentes tipos de galáxias.

O astrônomo americano Edwin Hubble foi um dos pioneiros no estudo sobre o assunto. Em 1930 ele criou um sistema de classificação conhecido como Sistema de Hubble que divide as galáxias em espirais e elípticas.

O site Live Science explica que as elípticas se parecem com ovos de luz achatados com um núcleo de estrelas. Já as espirais giram em torno de um eixo central comprido. Fazem parte desse grupo a via láctea e Andrômeda, próxima a Terra.

O modelo criado por um supercomputador leva em conta que além do que é visível, os espaços do Universo são formados por 72% de energia escura e 23% de matéria escura e 5% de componentes visíveis, como estrelas e planetas.

A matéria escura é composta por componentes invisíveis que não refletem a luz e por isso não podem ser observadas pelo telescópio. Ainda não se sabe o que forma essa matéria, mas há a certeza que ela exista porque ela se manifesta por meio da gravidade e raios-x. Essas manifestações mudam as características das galáxias.

A energia escura também é invisível e se distribui por todos o espaço fazendo com que o Universo cresça cada vez mais.

Ao levar em consideração a influência até mesmo de algo invisível, os cientistas dizem que os estudos ficam mais detalhados porque analisam todos os fatores que influenciam as galáxias.

Nick Deverereux, pesquisador da Universidade Embry-Riddle, no Arizona, Estados Unidos, disse que as próximas pesquisas serão mais precisas.

- Essas novas descobertas [sobre a influência da matéria e da energia escura] vão nos dar orientações mais claras para conduzir estudos futuros.

Telescópio Hubble encontra galáxias mais distantes já observadas


Círculos destacam três das galáxias antigas em foto do Hubble; equipamento bateu recorde em distância observada no Universo


O Telescópio Espacial Hubble bateu seu recorde anterior de distância observada e conseguiu detectar quatro galáxias a 13 bilhões de anos-luz de distância. As fotos dos objetos, apresentadas ontem no encontro anual da AAS (Sociedade Americana de Astronomia), mostram como eram as estruturas numa época em que o Universo era muito jovem, com apenas 700 milhões de anos.

Como a luz demora para chegar à Terra ao viajar grandes distâncias, os astrônomos enxergam objetos distantes como uma janela para o passado, que permite entender como era o Universo naquela época.

Segundo os cientistas que apresentaram a novidade ontem, as galáxias descobertas agora pelo Hubble eram pequenas, com apenas 1% da massa da galáxia da Terra, a Via Láctea. As estrelas que elas continham, por sua vez, não eram nada parecidas com o Sol.

"Elas eram tão azuis que deviam ser extremamente deficientes em elementos químicos pesados. Portanto, representam uma população com características primordiais", afirmou em comunicado à imprensa Rychard Bouwens, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, um dos cientistas que anunciaram a descoberta.

O achado foi feito após uma análise de imagens tiradas com a nova câmera sensível à luz infravermelha do Hubble, instalada por astronautas em maio do ano passado. Imagens da mesma região já haviam sido feitas pelo Hubble, mas em luz visível, indo a até 12,7 bilhões de anos-luz de distância.

A descoberta de galáxias relativamente bem estruturadas a 13 bilhões de anos de distância, segundo os cientistas, é também um indício de que as primeiras estrelas do Universo devem ter se acendido antes do que astrônomos estimavam, de 500 milhões a 600 milhões de anos depois do Big Bang, o fenômeno "explosivo" que deu origem ao Universo.

NASA divulga imagem de buraco negro no centro da Via Láctea

"Aspirador de pó" cósmico tem 114 anos-luz. Observação durou cerca de 11,5 dias e meio.

A NASA divulgou nesta terça-feira (05/01/2009) imagem de um buraco negro localizado no centro da Via Láctea, conhecido como Sagitário A*.

Com uma dimensão de 114 anos-luz, ele está localizado a cerca de 26.000 anos-luz da Terra, na constelação de Sagitário. É visível a partir dos dois hemisférios da Terra. O Sagitário A* é supermaciço, ou seja, possui uma massa muito maior que a da maioria das estrelas maciças, com cerca de cem massas solares.

Os cientistas acreditam que as regiões centrais de praticamente toda galáxia contêm um buraco negro supermaciço como este, de um milhão de massas solares ou mais.

No entanto, de acordo com os astrônomos da NASA, este buraco negro é um "devorador" fraco. Seu combustível vem de ventos originados em estrelas jovens, localizadas em uma relativamente longa distância do Sagitário A*, onde sua influência gravitacional é fraca, tornando-se difícil a captura.

A imagem foi produzida ao se utilizar diferentes faixas de energia de Raios-X do observatório da NASA Chandra e utilizando códigos coloridos para representá-las. Os dados são de uma série de observações que duram no total um milhão de segundos, ou quase duas semanas.

Fonte: G1

Um Quarteto de Galáxias

Uma crista azulada de gás cintilante parece atravessar o coração do grupo galáctico conhecido como Quinteto de Stephan, de acordo com o que revela uma foto recentemente divulgada obtida pelo Observatório de Raios-X Chandra, da Agência Espacial Americana (Nasa) dos Estados Unidos. Descoberto em 1877 o Quinteto de Stephan na verdade consiste de um quarteto de galáxias. Apenas quatro das galáxias que supostamente o formavam (mostradas aqui em uma imagem obtida com luz no espectro visual humano, pelo Telescópio Canadá-França-Havaí) estão realmente em estreita proximidade umas das outras, a uma distância de cerca de 280 milhões de anos-luz da Terra. A crista azulada, revelada pela capacidade de observação na banda do raio-X que o Chandra oferece, provavelmente é resultado de uma onda de choque criada quando uma das galáxias - o objeto que ocupa posição mais central na imagem acima - atravessou o conjunto das três outras, em velocidade de cerca de 3,2 milhões de km por hora. Novos estudos quanto a esse grupo de galáxias, que incluirão imagens mais detalhadas, como a obtida nesta nova imagem do Chandra, podem permitir que os astrônomos compreendam melhor a evolução das galáxias. Isso aconteceria porque as colisões entre galáxias resultam em alterações tais como explosões que resultam em nascimentos de estrelas, crescimento de galáxias por meio de fusões e alterações no formato galáctico. A força da gravidade que está sendo exercida sobre o quarteto de galáxias em colisão, por exemplo, está retirando das galáxias os seus gases frios de formação de estrelas, de modo que os astrônomos acreditam que, dentro de alguns bilhões de anos, as galáxias com braços em espiral que hoje formam o grupo terão adquirido em lugar disso um formato elíptico.

Um infantário de estrelas

Um infantário de estrelas

por LUÍS NAVES

Os mistérios do espaço continuam a ser investigados. Foram agora divulgadas imagens espectaculares de 30 dos 42 discos protoplanetários já identificados na nebulosa de Oríon. As fotografias do telescópio espacial 'Hubble' mostram futuros sistemas solares, com estrelas ao meio e nuvens de poeira e gás que darão origem a planetas e, talvez, a nova vida

Parecem pequenos discos voadores ou peixes eléctricos a nadar num estranho aquário. Na realidade, são discos protoplanetários, o que significa que são futuros sistemas solares, com a sua estrela e embriões de planetas em órbita.

A espectacular imagem reproduzida acima, que pode ser vista em spacetelescope.org/news, resulta de um mosaico de fotografias do Hubble sobre uma das regiões do espaço que tem gerado maior interesse entre os astrónomos, a nebulosa de Oríon.

Trata-se de um dos maiores infantários de estrelas conhecidos da ciência. Pode ser visto com pequenos telescópios no hemisfério sul do planeta. A nebulosa de Oríon tem 25 anos-luz de diâmetro e fica a uma distância da Terra de 1500 anos-luz. O intenso estudo desta região do espaço permite um relance sobre um dos problemas centrais da astronomia: como se formaram o sistema solar e a Terra? A nebulosa de Oríon foi descoberta no século XVII e é a zona de formação estelar mais próxima do nosso Sol.

A nebulosa em si tem sido muito fotografada pelo telescópio espacial Hubble e as imagens resultantes estavam disponíveis. Também já eram conhecidas foto- grafias de discos protoplanetários em diferentes nebulosas, incluindo Orion. A novidade na imagem em cima está na quantidade e diversidade dos discos protoplanetários. A ninguém pode escapar o conteúdo poético desta imagem recentemente divulgada pela ESA, a Agência Espacial Europeia, que com a congénere americana, NASA, é uma das responsáveis pela gestão do Hubble.

São claramente visíveis as novas estrelas e as misturas de gás e poeira em torno destes objectos. Dentro de milhões de anos, os discos com formas bizarras deverão evoluir para sistemas planetários. Os discos de poeira e gás estão em movimento e atraem mais poeira e gás. Sabe-se também que existe água nesta região. O mosaico mostra 30 dos 42 discos protoplanetários que se sabe existirem na nebulosa. Talvez alguns dos planetas que estão ali a nascer tenham um dia oceanos e vida.

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Através do Buraco de Minhoca