Astrônomos usam Hubble para estudar energia escura

A lente gravitacional de Abell 1689, com a matéria escura 
destacada em roxo. HST/Nasa-ESA

estadão.com.br

Pela primeira vez, cientistas utilizando o Telescópio Espacial Hubble conseguiram tirar vantagem de uma lente de aumento espacial - um enorme aglomerado de galáxias cuja gravidade concentra a luz emitida por corpos mais afastados - para obter informações sobre a natureza da misteriosa energia escura que está acelerando a expansão do Universo.

Os cálculos feitos a partir dos dados do Hubble, juntamente informações obtidas por outros meios, aumentou de forma significativa a precisão das medições da energia escura, diz nota divulgada pelos responsáveis pelo telescópio espacial.

"Temos de enfrentar o problema da energia escura por todos os lados", disse, na mesma nota, Eric Jullo, astrônomo do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa. Ele é o principal autor do artigo sobre a nova abordagem, publicado na edição desta semana da revista Science.

Cientistas não sabem o que a energia escura é, mas sabem que ela é o principal componente do Universo - cerca de 72%. A matéria escura, perfaz 24% e também é misteriosa, mas mais fácil de estudar, porque influencia gravitacionalmente a matéria comum, que responde por apenas 4%.

No novo estudo, a equipe de cientistas usou imagens do Hubble para analisar um grande aglomerado de galáxias, Abell 1689. A gravidade do aglomerado faz com que galáxias localizadas no pano de fundo apareçam em imagens múltiplas e distorcidas.

Usando essas imagens distorcidas, cientistas foram capazes de determinar como a luz das galáxias do pano de fundo foi distorcida pelo aglomerado - uma características que depende das propriedades da energia escura. O método também depende de medições, feitas aqui na Terra, da distância que nos separa dessas galáxias e da velocidade com que elas se afastam de nós.

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